Adolescente pernambucano de 14 anos transforma lixo reciclado em bomba eólica para ajudar comunidades com falta de água
Criado a partir de um desafio escolar, um equipamento de baixo custo ganhou reconhecimento e enfrenta novos desafios para chegar ao campo.
Uma bomba feita com materiais que seriam descartados passou a mover água usando apenas o vento, sem eletricidade. A invenção é de Lucas Figueiredo, estudante pernambucano que desenvolveu a bomba eólica aos 14 anos, durante um projeto escolar no Recife, pensando nas necessidades de famílias do semiárido.
Como a bomba eólica consegue levar água sem eletricidade?
O vento movimenta as pás do equipamento e transmite energia a um mecanismo de bombeamento. O protótipo usa esse movimento para acionar um pistão que impulsiona água, dispensando motor elétrico enquanto houver vento suficiente.
A solução aproveita o princípio da energia eólica, também empregado em antigos moinhos. Diferentemente de uma turbina que gera eletricidade, o sistema busca converter diretamente o movimento do ar em trabalho mecânico.

Quais materiais reciclados entram na construção?
Garrafas PET, tubos de PVC e peças reaproveitadas fazem parte da proposta de construção. O objetivo é reduzir gastos e facilitar a obtenção de componentes, especialmente em localidades distantes dos grandes centros.
Isso não significa que qualquer sucata sirva para o bombeamento. Resistência das pás, vedação, fixação e compatibilidade das peças influenciam a segurança e o rendimento. Materiais reutilizados precisam suportar o esforço repetido do vento.
Os componentes desempenham funções diferentes no protótipo:
Por que Lucas escolheu enfrentar a falta de água?
Iniciada em 2022, a ideia nasceu de uma feira de ciências do Colégio Santa Maria, no Recife. Lucas buscava uma alternativa para lugares onde transportar água exige esforço e o fornecimento de eletricidade pode ser limitado.
Em conversas com agricultores de Bom Jardim, em Pernambuco, o estudante investigou necessidades do campo. O desenvolvimento teve orientação da professora Isabel Guaraná e apoio de Luciano Figueiredo, seu tio e engenheiro elétrico.
O que os testes e prêmios mostram sobre a invenção?
Os testes levaram a mudanças na entrada de água, no desenho das hélices e nos materiais empregados. Essas revisões procuram melhorar o funcionamento, mas não equivalem a dados públicos completos sobre vazão em qualquer terreno.
O trabalho conquistou ouro na International Greenwich Olympiad, em Londres, e foi apresentado em eventos científicos. O reconhecimento destaca a pesquisa estudantil, sem demonstrar que o equipamento já abastece permanentemente comunidades inteiras.
Três aspectos ajudam a dimensionar o desenvolvimento:
Quais são os limites para usar a bomba no campo?
O desempenho depende da regularidade do vento, da profundidade da captação e da altura até onde a água precisa subir. Um sistema adequado a um poço raso pode não repetir a mesma vazão em outra propriedade.
Também é necessário avaliar durabilidade, manutenção e qualidade da água. Levá-la até um reservatório não a torna automaticamente potável: o consumo humano exige condições sanitárias adequadas e, quando necessário, tratamento.
Leia também: Após 60 anos, gigante dos eletrônicos fecha 567 lojas e demite 34 mil trabalhadores com dívida de quase R$ 12 bilhões
O projeto ainda precisa avançar para chegar a mais famílias
Medir a quantidade de água bombeada em diferentes ventos e acompanhar o desgaste das peças são passos relevantes. Essas informações ajudam a decidir onde a tecnologia pode funcionar e quais adaptações seriam necessárias.
A experiência de Lucas mostra o potencial de uma pesquisa escolar para enfrentar um problema concreto. Transformar esse potencial em abastecimento regular, porém, exige testes prolongados, manutenção viável e planejamento para cada comunidade.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)