Depois de chegar à falência com 54 lojas de moda, rede fecha todas as unidades e liquida operação após segunda tentativa de reorganização fracassa
Depois de reduzir pontos comerciais e apostar no digital, uma varejista enfrentou novo processo que terminou com a venda de estoques e o fim das operações.
As vitrines de uma rede de moda feminina entraram em liquidação em agosto de 2019, quando 54 lojas passaram a vender seus estoques para encerrar as atividades. A falência da A’Gaci, sediada em San Antonio, ocorreu pouco mais de um ano após uma reorganização financeira e também atingiu as vendas pela internet.
Por que a A’Gaci voltou à falência depois de se reorganizar?
A A’Gaci havia pedido proteção judicial em janeiro de 2018 e conseguiu sair daquele processo meses depois. Em agosto de 2019, recorreu novamente ao sistema de falências dos Estados Unidos, mas já com a perspectiva de encerrar sua rede de lojas.
O chamado Chapter 11 permite reorganizar empresas endividadas, embora também possa resultar em liquidação. No segundo pedido, não houve uma nova recuperação operacional: os esforços passaram à venda dos estoques e ao encerramento das atividades.

Como a expansão das lojas aumentou os custos da empresa?
A rede havia aberto 21 unidades durante um período de crescimento e chegou a operar 76 lojas. O aumento da presença física elevou sua exposição a aluguel, manutenção e outras despesas, enquanto os hábitos de compra mudavam.
Em 2018, a companhia identificou contratos de locação considerados caros em boa parte dos pontos comerciais. Renegociar aluguéis ou reduzir o número de endereços tornou-se uma etapa essencial para tentar manter a operação de moda feminina.
O que a primeira reorganização conseguiu mudar?
A empresa chegou a pedir autorização para fechar até 49 das 76 lojas na primeira recuperação, mas terminou encerrando apenas 20 unidades. A quantidade final dependia também das negociações com os proprietários dos imóveis comerciais.
A diminuição mais limitada preservou mais lojas abertas, mas manteve parte da estrutura de despesas. Não é possível atribuir a segunda falência somente a essa decisão: pressão sobre receitas, contratos de aluguel e mudanças no varejo também pesavam.
A cronologia mostra o alcance das decisões de fechamento:
Por que as vendas online não salvaram a rede?
A companhia pretendia ampliar o comércio eletrônico para compensar dificuldades das unidades físicas. O plano previa crescimento das vendas digitais, mas as projeções não se converteram em uma solução suficiente para a crise que reapareceu em 2019.
O canal virtual representava quase 15% das vendas no ano fiscal de 2018, conforme informações divulgadas na posterior oferta dos ativos da marca. Mesmo com essa participação, o site foi desativado antes do início da liquidação física.
Como ocorreu a liquidação das 54 lojas?
Em 8 de agosto de 2019, as empresas responsáveis pela venda dos estoques anunciaram descontos iniciais de até 50% em todas as 54 unidades, localizadas nos Estados Unidos e em Porto Rico. Roupas, calçados e acessórios entraram na operação.
O comunicado das empresas responsáveis pela liquidação indicava mais de US$ 21 milhões em mercadorias. Havia expectativa de encerrar a maior parte das lojas ainda naquele mês, enquanto o canal de vendas online já estava fechado.
Três momentos resumem a trajetória do encerramento:
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O que diferencia uma liquidação de uma recuperação bem-sucedida?
Numa reorganização, a empresa procura ajustar custos e dívidas para continuar operando. Na liquidação, a prioridade passa a ser vender estoques e outros ativos, o que não significa que a atividade comercial será preservada.
Foi esse o desfecho da rede em 2019. Em setembro de 2019, a marca e seus direitos de propriedade intelectual também foram oferecidos para venda, separadamente das antigas lojas físicas. A falência foi um episódio daquele ano, não um fechamento anunciado em 2026.
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