Líderes do PT querem CPMI para investigar Flávio nos casos Master e INSS
Pedido de Pedro Uczai e Camilo Santana terá como base dois inquéritos em tramitação no STF, incluindo o caso do filme Dark Horse
Os líderes do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), e no Senado, Camilo Santana (CE), anunciaram nesta segunda-feira, 19, que vão apresentar um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar suspeitas envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O integrante do PL disputa o segundo turno da eleição presidencial com Lula (PT). Para protocolar o requerimento de criação de uma CPMI, ele precisa ter a assinatura de pelo menos 171 deputados federais e 27 senadores.
Segundo nota divulgada pelos líderes petistas, o pedido terá como base dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador do PL: um sobre o suposto financiamento do filme “Dark Horse“, envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outro sobre suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à ligação do senador com o advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.
“O requerimento adota como fatos determinados o próprio objeto dessas investigações. O primeiro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, trata do suposto financiamento do filme ‘Dark Horse’. Foi aberto em julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, e apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção”, pontuam Uczai e Camilo, que é também coordenador da campanha de Lula à reeleição.
“Segundo as investigações, Flávio negociou com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). Desse total, ao menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) teriam sido pagos em 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos”.
Para os parlamentares, “dois fatos recentes põem em dúvida a versão de que se tratava de patrocínio. Em resposta a pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o liquidante do Banco Master informou que não há registro contábil ou contratual de patrocínio do banco ao filme. Já o operador das remessas, que firmou delação premiada, declarou à PF que a operação lhe foi apresentada como investimento imobiliário nos Estados Unidos e que ele não sabia do filme”.
Eles ressaltam que a origem e a finalidade dos recursos continuam sem explicação. Em relação ao segundo inquérito, reforçam que o relator é o ministro Alexandre de Moraes, e que o caso chegou ao STF em 8 de outubro.
“A PF aponta Flávio como ‘usuário master’ da conta bancária de uma offshore de Willer em Portugal. Aponta também viagens pagas por uma empresa dona de bet e a movimentação de 130 milhões de reais em conta vinculada ao advogado. Na semana passada, poucos dias depois da chegada do inquérito ao Supremo, Willer viajou para o exterior com a família. Isso levou a PF a suspeitar de que a viagem tenha servido para escapar de eventuais medidas cautelares. Os dois casos se cruzam“, salientam.
Ainda de acordo com os petistas, “a offshore de Willer tem participação em um jato do qual Vorcaro também foi cotista, e Flávio usou esse avião em janeiro de 2025. Em maio, logo após a divulgação dos áudios em que Flávio pede recursos a Vorcaro, as bancadas do PT, do PCdoB e do PSOL pediram à PF e à Receita Federal a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do senador e do banqueiro”.
Eles argumentam que a CPMI poderá decretar essas quebras, sem depender de autorização judicial. “O tema também já passou pelo Congresso sem resposta. Na CPMI do INSS, relatada por Alfredo Gaspar, hoje candidato a vice na chapa de Flávio, nunca foi votado o requerimento para ouvir a administradora do escritório de advocacia do senador, que declarou ter assumido a função por indicação de Willer”, concluem.
Assim como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), uma CPMI tem poderes de investigação equiparados aos das autoridades judiciais, como determinar diligências, ouvir indiciados e inquirir testemunhas.
Oposição mira Lulinha
A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), por sua vez, buscam assinaturas para viabilizar a criação de uma CPMI destinada a investigar suspeitas de tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido e outras práticas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.
O requerimento foi apresentado no sábado, 17, por Coronel Fernanda, após Luchsinger relatar, em entrevista à CNN Brasil, supostos encontros do filho do presidente Lula (PT) com ministros do governo federal.
Conforme o documento, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito seria composta por 15 deputados e 15 senadores. O prazo de funcionamento do colegiado seria de 90 dias, podendo ser prorrogado. As despesas para os trabalhos foram orçadas em 100 mil reais.
“A recente divulgação de declarações públicas da empresária e lobista Roberta Luchsinger, em entrevista concedida à CNN Brasil em 17 de outubro de 2026, trouxe novos elementos que justificam o aprofundamento da fiscalização parlamentar sobre possíveis relações entre interesses privados e agentes da Administração Pública Federal“, afirma Fernanda no pedido.
“Na entrevista, Luchsinger afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria participado de encontros com ministros do governo federal e relatou sua própria participação em discussões relacionadas a políticas públicas, especialmente no setor de medicamentos à base de canabidiol”.
Ela prossegue: “A empresária também declarou que pretende colaborar com as investigações em curso. O objetivo desta Comissão não é presumir a prática de ilícitos por qualquer pessoa, mas apurar a existência de fatos, relações, atos administrativos e eventuais fluxos financeiros que possam indicar irregularidades na interlocução entre particulares e agentes públicos“.
Para a deputada, “as declarações ganham relevância diante das investigações sobre as irregularidades relacionadas ao INSS, nas quais Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva foram mencionados no contexto de apurações sobre suspeitas de tráfico de influência e outras condutas”.
Além disso, diz a congressista, é necessário esclarecer se houve reuniões, viagens, contatos institucionais ou privados e interlocuções entre particulares e integrantes do alto escalão do governo federal para discutir políticas públicas, programas governamentais, decisões regulatórias, contratos, autorizações, benefícios ou outras medidas administrativas.
E também verificar se esses contatos observaram as normas legais e os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência previstos na Constituição.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)