Animal que desapareceu há mais de 400 anos volta aos rios e começa a transformar a paisagem
A construção de barragens e a formação de áreas alagadas mostram como um mamífero pode mudar o ambiente, embora o retorno exija manejo cuidadoso.
Uma barragem de galhos mudou o caminho da água e ajudou a transformar parte de uma área de mata em ambiente alagado. O retorno dos castores na Inglaterra, desaparecidos do país desde aproximadamente o século XVI por causa da caça, já produz mudanças documentadas em rios e áreas úmidas.
Por que os castores desapareceram por tantos séculos?
O castor-europeu, de nome científico Castor fiber, era uma espécie nativa de cursos de água ingleses. A caça por pele, carne e substâncias produzidas pelo animal contribuiu para sua extinção local por volta do século XVI.
O desaparecimento alterou ambientes nos quais os castores antes interferiam naturalmente. A espécie continuou existindo em outras partes da Europa e da Ásia, de modo que os projetos atuais tratam de reintrodução regional, e não da recuperação de um animal extinto no planeta.

Como os castores começaram a voltar à natureza?
Iniciativas de conservação inicialmente mantiveram animais em áreas cercadas, enquanto outros castores passaram a ocorrer livremente por diferentes vias. Em 28 de fevereiro de 2025, o governo inglês anunciou regras para autorizar novas solturas planejadas fora de recintos.
Poucos dias depois, em 5 de março de 2025, o National Trust liberou dois pares de castores no ambiente natural de Purbeck, em Dorset, sob licença. Essa etapa representou a primeira soltura oficial desse tipo depois da mudança nas regras inglesas.
De que maneira uma barragem modifica o ambiente?
Ao reunir galhos e outros materiais, os castores podem reduzir a velocidade da correnteza e reter água em determinadas áreas. A formação de pequenos alagados e canais cria condições para diferentes plantas, insetos, anfíbios e aves.
Essas mudanças dependem do relevo, da vazão e do local da barragem. Nem todo castor constrói a mesma estrutura, e os efeitos podem variar. Os animais também derrubam árvores e alteram a vegetação ao procurar alimento e materiais para seus abrigos.
A cronologia ajuda a situar as mudanças recentes:
O que já aconteceu em uma área restaurada?
Em março de 2026, um projeto em Studland, Dorset, relatou que castores soltos no ano anterior haviam transformado parte de uma área de mata densa em um habitat úmido. A mudança resultou da atividade contínua de um casal na região.
Um dos sinais mais visíveis foi uma barragem de aproximadamente 35 metros. O acompanhamento da nova área alagada em Studland documenta a estrutura e a formação de um ambiente com características diferentes das existentes antes da atividade dos animais.
As barragens sempre trazem benefícios?
Não necessariamente em todos os pontos. As áreas úmidas podem favorecer espécies silvestres e contribuir para reter água, mas o represamento também pode atingir terras agrícolas, caminhos e estruturas humanas, dependendo da localização.
Por isso, a reintrodução requer licenciamento, participação das comunidades e manejo. O monitoramento permite decidir onde preservar barragens e onde adotar medidas de prevenção ou redução de impactos sem prejudicar desnecessariamente os animais.
O manejo considera tanto os benefícios quanto os efeitos locais:
O que o retorno dos castores representa para os rios?
A presença de castores amplia a possibilidade de restaurar processos naturais que estavam ausentes havia séculos. Barragens, canais e vegetação modificada podem criar novos habitats, especialmente quando a área tem espaço e condições para acomodar as mudanças.
Os resultados dependem da proteção dos cursos de água e da convivência com moradores e proprietários rurais. O retorno dos castores mostra que a recuperação ambiental também envolve acompanhar transformações da paisagem, inclusive aquelas que exigem ajustes de manejo.
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