A cidade isolada entre montanhas onde a maioria dos 250 moradores vive dentro do mesmo prédio de 14 andares
O isolamento ajudou a criar uma rotina em que quase tudo acontece dentro do mesmo edifício
Um prédio de 14 andares se destaca entre montanhas cobertas de neve, perto de um pequeno porto no Alasca. A construção abriga a maior parte dos aproximadamente 250 moradores de Whittier, uma cidade americana onde quase toda a população cabe em um único edifício residencial. Cercada por geleiras e pelo mar, Whittier no Alasca também possui uma característica incomum: para chegar de carro, é necessário atravessar um túnel compartilhado com trens.
Onde fica Whittier e por que essa cidade é tão isolada?
Whittier fica no extremo do Passage Canal, na região de Prince William Sound, no sul do Alasca. A cidade ocupa uma pequena faixa de terra cercada por montanhas e águas ligadas ao oceano Pacífico.
Segundo o órgão oficial de promoção turística do Alasca, Travel Alaska, a geografia ajudou a transformar o local em um porto protegido, apesar das dificuldades de acesso por terra.
As montanhas deixam pouco espaço para construir bairros extensos. O relevo também limita a criação de novas estradas e contribuiu para que a área urbana permanecesse concentrada perto do porto.
Essa combinação de mar, relevo elevado e espaço reduzido influencia diretamente a distribuição das moradias. Diferentemente de cidades com bairros espalhados, Whittier reúne grande parte de seus habitantes em uma área muito pequena.

Por que a maioria dos moradores vive no mesmo prédio de 14 andares?
A maior parte dos habitantes mora nas Begich Towers, um edifício construído originalmente para atender à presença militar americana na região. A concentração residencial permaneceu mesmo depois que os militares deixaram a cidade.
O prédio foi concluído em 1957 e recebeu inicialmente o nome de Hodge Building. Sua estrutura reúne apartamentos de tamanhos diferentes e permite acomodar muitos moradores em uma pequena parcela do território urbano.
O relatório Alaska Economic Trends, do Departamento do Trabalho do Alasca, explica que a escassez de terrenos disponíveis ajudou a transformar o edifício no principal endereço residencial de Whittier.
A distribuição das moradias apresenta características pouco comuns:
Como é a rotina em uma cidade onde tantos vizinhos vivem juntos?
A concentração de moradores nas Begich Towers transforma muitos deslocamentos cotidianos em pequenos trajetos pelo próprio prédio e pelas ruas próximas.
Em uma cidade com uma população tão pequena, edifícios residenciais de grande capacidade conseguem reunir pessoas que, em outras localidades, estariam distribuídas por vários bairros.
As moradias estão ligadas a uma área urbana que reúne serviços, instalações portuárias e atividades comerciais. O tamanho reduzido de Whittier torna possível percorrer parte dessa região a pé.
Isso não significa que todos os moradores vivam no mesmo apartamento ou compartilhem uma residência. As Begich Towers possuem unidades independentes, com espaços privados para seus ocupantes.
A organização também está relacionada às condições ambientais. Durante períodos de neve e frio intenso, concentrar moradias e serviços diminui a necessidade de grandes deslocamentos dentro da cidade.
Como carros e trens conseguem chegar a uma cidade cercada por montanhas?
O acesso terrestre utiliza o Anton Anderson Memorial Tunnel, uma passagem com aproximadamente 4 km que atravessa a montanha entre Whittier e Bear Valley.
O túnel foi construído originalmente para a ferrovia durante a Segunda Guerra Mundial. Em 2000, passou a receber automóveis depois de obras que adaptaram a infraestrutura para o tráfego misto.
Segundo o Departamento de Transportes do Alasca, trata-se de uma das passagens ferroviárias e rodoviárias compartilhadas mais extensas da América do Norte.
A estrutura possui apenas uma faixa para veículos. Por isso, os automóveis precisam esperar a liberação do sentido correto, e os trens não podem circular simultaneamente com o tráfego rodoviário.
O isolamento não significa ausência de outras conexões. Whittier também recebe embarcações e possui serviços marítimos. A principal diferença é que a entrada de automóveis depende de um único corredor através da montanha.
No Brasil, uma limitação de acesso diferente aparece na ilha fluminense de 106 praias onde não circulam carros de passeio e o acesso ocorre por barco.

Por que o túnel de Whittier possui horários para entrar e sair?
O túnel funciona com janelas de circulação em sentidos alternados. Como a mesma passagem precisa atender carros e trens, os operadores organizam o tráfego em horários determinados.
O calendário oficial do Anton Anderson Memorial Tunnel apresenta períodos diferentes para o verão e o inverno.
Entre maio e setembro, o acesso rodoviário funciona normalmente das 5h30 às 23h15. Já entre outubro e abril, o período regular vai das 7h às 22h45.
Durante o expediente, os veículos são liberados em horários programados. Trens não previstos ou condições operacionais podem provocar atrasos adicionais.
O túnel também cobra pedágio dos veículos. Isso significa que uma viagem de carro até Whittier exige organizar o horário de entrada e considerar a tarifa da travessia.
Como Whittier surgiu e por que os militares construíram uma cidade nesse lugar?
A importância de Whittier cresceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos buscavam um porto protegido e conectado à rede ferroviária do Alasca.
O Exército começou a construir a ligação ferroviária em 1941, e os trabalhadores concluíram o acesso em abril de 1943. O porto passou a receber cargas, militares e materiais destinados às operações na região.
A localização oferecia vantagens para a logística militar, mas também exigia instalações capazes de enfrentar o ambiente montanhoso e as condições climáticas.
Com o crescimento da base, foram erguidos grandes edifícios para alojar militares e trabalhadores. Depois da saída das Forças Armadas, essas estruturas passaram a integrar a vida civil da cidade.
A antiga função militar ajuda a explicar por que uma comunidade tão pequena possui construções muito maiores do que seria esperado para sua população atual.
O que os visitantes encontram em Whittier além do prédio de 14 andares?
Whittier também funciona como porta de entrada para passeios marítimos em Prince William Sound, região conhecida por geleiras, montanhas e paisagens costeiras.
O porto recebe embarcações turísticas, barcos de pesca e serviços de transporte. Durante o verão, a circulação de visitantes amplia o movimento da cidade, mesmo que o número de moradores permanentes continue pequeno.
Os passeios pelo litoral permitem observar áreas glaciais e ambientes naturais que ficam fora da pequena região urbana. A ferrovia e os serviços marítimos também tornam Whittier uma conexão para quem viaja por outras partes do Alasca.
Para chegar de carro, o visitante precisa consultar o horário de abertura do túnel, principalmente nos meses de inverno. A viagem termina em uma cidade onde o porto ocupa a paisagem de frente para o mar, enquanto a maior parte dos moradores continua vivendo na torre construída durante a antiga presença militar.
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