Motorista segue o GPS por uma estrada de terra para fugir do pedágio e descobre que o trajeto termina numa ponte de madeira que não suporta o peso do carro
O sistema só indica a posição do carro; a rota sem pedágio vem do mapa digital, que não mostra quanto peso uma ponte rural de madeira suporta
Muita gente acredita que o GPS escolhe o caminho mais seguro e conhece cada trecho da estrada. Não é bem assim: o sistema só informa onde o carro está, e quem desenha a rota é o aplicativo de mapas, com dados que podem estar incompletos. Quando o motorista pede para evitar o pedágio, esse software pode levar o carro a uma estrada de terra que termina numa ponte de madeira sem condições de receber o veículo.
Por que o GPS desvia o carro para uma estrada de terra?
O desvio nasce da combinação entre o pedido do motorista e o mapa digital. A navegação por satélite calcula apenas a posição. Segundo o GPS.gov, portal oficial do governo dos Estados Unidos, os satélites enviam sinais de mão única com posição e horário, e o receptor calcula onde o usuário está.
O traçado do trajeto vem de outra camada, o software de mapas. Ao marcar a opção de evitar pedágio, o aplicativo descarta as rodovias cobradas e procura outra ligação possível no mapa. Em áreas rurais, essa alternativa pode ser uma estrada de terra cadastrada como via comum, nem sempre com dados atualizados sobre piso, largura ou estado das pontes.
O próprio portal americano reconhece o problema. Na página sobre a precisão do GPS, o GPS.gov explica que, em muitos casos, o receptor funciona bem e a falha está no software de mapeamento, com mapas desenhados de forma incorreta. O texto lembra ainda que o governo dos Estados Unidos não corrige erros de mapa em aparelhos de consumo.
Navegação por satélite não mede quanto uma ponte aguenta
A navegação por satélite indica onde o carro está, mas não avalia a estrutura do caminho. Segundo o GPS.gov, celulares com GPS costumam ter precisão de cerca de 4,9 metros a céu aberto, e o desempenho piora perto de prédios, pontes e árvores.

Essa precisão serve para mostrar em que curva o veículo está, não para medir a resistência de vigas e tábuas. O aplicativo também não sabe se choveu na véspera, se a madeira apodreceu ou se a travessia foi feita apenas para pedestres e motos.
Por isso, a sinalização e o olhar do motorista contam mais do que a seta na tela. Placas de limite de peso, interdições e o próprio aspecto da ponte de madeira são informações que nenhum mapa digital substitui na hora da travessia.
Pontes de madeira em estradas vicinais acumulam problemas
As pontes de madeira de estradas rurais costumam envelhecer sem manutenção. Um levantamento de Cleovir José Milani e Moacir Kripka, publicado em 2012 na Revista Eletrônica de Engenharia Civil, inspecionou as pontes de Pato Branco (PR). Os pesquisadores encontraram ataque de insetos e fungos, vigas em estado avançado de apodrecimento, defeitos no tabuleiro e danos causados por sobrecarga de veículos.
Os autores atribuem a maior parte dos problemas à falta de projeto executivo, de mão de obra qualificada e de manutenção preventiva. Uma dissertação da Unesp de 2007 lembra que o vão dessas pontes depende do tamanho das peças, em geral cerca de 6 metros para vigas serradas e 12 metros para vigas roliças. Seguir o aplicativo ao pé da letra também traz outras surpresas para quem dirige, como mostra a matéria abaixo.
Como agir diante de uma ponte de madeira no meio do trajeto
A primeira atitude é parar antes da cabeceira e descer para olhar. Tábuas soltas ou quebradas, madeira escura e esfarelando, pregos expostos e vigas tortas indicam que a estrutura pode não suportar o peso do carro.

Se houver placa de limite de peso, compare o valor com o peso do veículo informado pelo fabricante no manual. Na dúvida, não atravesse: dar ré até um ponto largo e voltar ao caminho conhecido custa menos do que um carro preso ou uma queda no rio.
Estradas vicinais costumam ficar sob responsabilidade das prefeituras, que podem ser avisadas sobre pontes danificadas. Se o carro ficar preso ou houver risco de queda, a orientação é sair do veículo com cuidado e chamar o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Compensa trocar o pedágio por um atalho de terra desconhecido?
Na maioria das viagens, o atalho só compensa quando o motorista conhece o caminho. Antes de aceitar a rota sem pedágio, confira no mapa se o trecho alternativo é pavimentado, quanto tempo a mais ele leva e se atravessa áreas rurais isoladas.
Outra precaução é checar o trajeto pela visualização de satélite ou de rua, quando o aplicativo oferecer, e evitar estradas de terra à noite ou depois de chuva forte. Avisar alguém sobre o caminho escolhido e sair com tanque cheio e bateria do celular carregada também ajuda em caso de imprevisto.
No fim, a lição volta ao começo: o GPS diz onde você está, não se a ponte de madeira à frente aguenta o carro. Na próxima viagem, use o aplicativo para se orientar, mas deixe a decisão final com seus olhos e, se bater a dúvida, faça como um amigo faria: dê meia-volta.
Quem passa muitas horas ao volante também costuma usar o celular nas paradas. A matéria a seguir mostra o que muda quando o carro está parado no semáforo.
Motoristas que mexem no celular parado no semáforo deveriam conhecer o Art. 252 do CTB➔
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)