Um Diplodocus apareceu onde ninguém havia confirmado antes: fósseis na Espanha mostram que o gigante jurássico também chegou à Europa há 150 milhões de anos
Descoberta de 14 vértebras na Espanha amplia a distribuição conhecida do Diplodocus e reforça antigas conexões entre Europa e América do Norte
Um dinossauro de aproximadamente 25 metros de comprimento mudou o mapa conhecido de um dos grupos mais famosos do Jurássico. Paleontólogos encontraram 14 vértebras da cauda de um Diplodocus na Espanha, confirmando pela primeira vez a presença desse gênero fora da América do Norte. Os fósseis, com cerca de 150 milhões de anos, também reforçam a hipótese de antigas conexões terrestres entre Europa e América.
Por que o Diplodocus encontrado na Espanha surpreendeu os paleontólogos?
Até recentemente, os fósseis atribuídos com segurança ao gênero Diplodocus eram conhecidos exclusivamente da Formação Morrison, nos Estados Unidos. Essa formação geológica preserva uma das faunas de dinossauros mais importantes do Jurássico Superior, incluindo gigantes herbívoros e grandes predadores.
A descoberta aconteceu no sítio paleontológico La Tejería, localizado em El Castellar, na província espanhola de Teruel. Os primeiros ossos foram identificados em 2008, após um excursionista comunicar a presença de fósseis expostos. Escavações posteriores ampliaram o conjunto, permitindo uma investigação detalhada apresentada em setembro de 2026.
O que os pesquisadores encontraram nos fósseis de Diplodocus?
O material recuperado inclui 14 vértebras da região média e posterior da cauda, além de diversos ossos chamados chevrons, estruturas posicionadas abaixo das vértebras caudais. Cinco vértebras foram recolhidas inicialmente, enquanto outras nove apareceram durante campanhas realizadas em 2014 e 2015.
A preservação permitiu identificar características anatômicas semelhantes às encontradas em representantes norte-americanos do gênero. Os pesquisadores estimam que o animal poderia alcançar aproximadamente 25 metros de comprimento, embora o esqueleto incompleto impeça uma medição direta.
Entre os principais dados da descoberta estão:
- Fósseis encontrados em El Castellar, na Espanha;
- Identificação de 14 vértebras caudais;
- Presença de ossos inferiores da cauda;
- Idade aproximada de 150 milhões de anos;
- Comprimento corporal estimado em 25 metros;
- Primeira atribuição científica consistente de Diplodocus fora da América do Norte.

Como o Diplodocus poderia ter chegado à Europa no Jurássico?
Há aproximadamente 150 milhões de anos, a configuração dos continentes era muito diferente da atual. O Oceano Atlântico ainda estava em formação, e as massas continentais da América do Norte e da Europa permaneciam relativamente próximas. Regiões costeiras, ilhas e possíveis conexões terrestres poderiam facilitar deslocamentos de animais.
Os paleontólogos consideram que quedas temporárias do nível do mar poderiam ter aberto corredores de dispersão. Isso permitiria que populações de grandes dinossauros se movimentassem entre territórios atualmente separados pelo oceano. Entretanto, os fósseis não demonstram qual caminho foi percorrido nem em qual direção ocorreu a dispersão.
Quais evidências científicas confirmam o Diplodocus europeu?
A investigação foi conduzida por Sergio Sánchez-Fenollosa, José García-Cobeña e Alberto Cobos, da Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis. O estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, em 14 de setembro de 2026, utilizou comparações anatômicas e análises filogenéticas para investigar o parentesco do exemplar.
Os resultados posicionaram consistentemente os fósseis dentro do gênero Diplodocus. Entretanto, os autores utilizaram a identificação Diplodocus sp., porque não foi possível estabelecer uma espécie específica. Alguns especialistas independentes também consideram que o material é fragmentário demais para uma atribuição definitiva ao gênero. A descoberta representa uma evidência importante, mas ainda poderá ser reavaliada com novos fósseis.
Quais diferenças existem entre o Diplodocus e outros gigantes encontrados na Espanha?
A região de Teruel já era conhecida por seus grandes saurópodes, dinossauros herbívoros de pescoço longo que caminharam sobre quatro patas. Entre eles estão Turiasaurus riodevensis e Losillasaurus giganteus, animais pertencentes a linhagens diferentes daquela representada pelo novo exemplar.
O Diplodocus apresentava características marcantes, como pescoço alongado, cabeça relativamente pequena e uma cauda extremamente comprida. As vértebras encontradas na Espanha possuem detalhes anatômicos importantes para diferenciá-lo de outros saurópodes conhecidos na Europa.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Gênero | Diplodocus |
| Local | El Castellar, Teruel |
| Idade | Cerca de 150 milhões de anos |
| Fósseis | 14 vértebras e chevrons |
| Comprimento estimado | Aproximadamente 25 metros |
O que a descoberta pode revelar sobre a distribuição dos dinossauros?
A presença de Diplodocus na Península Ibérica fortalece a hipótese de intercâmbios faunísticos entre Europa e América do Norte durante o Jurássico Superior. Outros dinossauros, incluindo representantes próximos de Allosaurus, já haviam fornecido evidências de semelhanças entre os ecossistemas dos dois continentes.
Os fósseis permanecem sob responsabilidade do Museu Aragonês de Paleontologia, em Dinópolis, onde podem ser estudados e apresentados ao público. Novas escavações poderão revelar partes adicionais do esqueleto, permitindo investigar sua espécie e suas relações evolutivas com maior precisão. A descoberta mostra que a distribuição dos gigantes jurássicos pode ter sido mais ampla e complexa do que o registro fóssil anteriormente indicava.
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