Aliados elogiam postura de Lula sobre maioridade penal após sabatina
Chico Alencar vê falha na explicação sobre Bolsa Família e prevê debate na esquerda; líder do PSB critica proposta do PL
Aliados do presidente Lula (PT) ouvidos por O Antagonista nesta sexta-feira, 16, avaliaram positivamente o desempenho do petista na sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, na quinta-feira, 15, e sua postura sobre a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
O deputado federal Chico Alencar (Psol-SP), porém, disse que o presidente falhou ao justificar a falta de reajuste do Bolsa Família em seu governo e avaliou que a posição sobre a maioridade penal ainda provocará muita discussão na esquerda.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula à reeleição, afirmou que o presidente enfrentou os temas da sabatina com coragem e defendeu posições construídas ao longo de debates sobre diferentes assuntos.
“Parte da esquerda chega a admitir a possibilidade de redução pra crime hediondo contra a vida. Então não é exatamente uma surpresa o debate”, disse. “O presidente tem opinião dele, mas ele vai respeitar o Parlamento”, pontuou.
Chico Alencar, por sua vez, classificou como “novidadeira”, “diferente” e “ousada” a posição de Lula sobre a redução da maioridade penal. Para o deputado, a manifestação foi eleitoralmente sagaz, embora deva provocar divergências no próprio campo político do presidente.
“Esse tema merece muito debate, muita discussão, não tem nada a ver estar vinculado à PEC da Segurança Pública, é uma artimanha lá da direita, mas ele fez essa afirmação objetiva aí. Vai dar muita discussão dentro do próprio PT, da esquerda”, afirmou.
Na quinta-feira, como mostramos, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), apresentou uma emenda à PEC da Segurança Pública para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A proposta, porém, dividiu a bancada petista. Entre os que não assinaram o texto estão os líderes do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
Durante a sabatina, Lula se manifestou favoravelmente à redução, mas defendeu que o assunto seja discutido separadamente da PEC da Segurança Pública, para não atrasar a tramitação da proposta.
“PL acabou se enroscando”
O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Jonas Donizette (SP), também elogiou a defesa da redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Para o parlamentar, o PL se complicou ao propor a responsabilização penal a partir dos 14 anos nesses casos.
“Achei que ele foi muito bem na entrevista e achei positivo ele defender também a maioridade penal pra 16 anos. E acho que o PL acabou se enroscando com os 14”, disse.
Donizette classificou ainda como uma “medida inteligente” a emenda apresentada por Camilo Santana. O deputado afirmou que também defende a redução da maioridade penal para crimes hediondos, diante da situação da segurança pública no país.
Já o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) considerou importante que Lula tenha demonstrado a intenção de ajudar os estados a enfrentar a criminalidade, defendendo a aprovação da PEC da Segurança Pública para ampliar a atuação do governo federal na área.
Para Tatto, a discussão sobre a redução da maioridade penal não deve ser misturada ao debate sobre a organização das responsabilidades da União, dos estados e dos municípios na segurança pública.
O deputado Rogério Correia (PT-MG), por sua vez, elogiou a posição de Lula e defendeu a responsabilização penal de adolescentes de 16 anos que cometam crimes hediondos.
“Aqueles que cometem crime hediondo têm que responder pela força da lei, mesmo tendo 16 anos. Acho que isso é correto, o que ele defendeu”, declarou.
Correia também destacou a defesa da PEC da Segurança Pública, que, segundo ele, permitirá criar condições para a instituição de um Ministério da Segurança Pública. O parlamentar afirmou ainda que Lula apresentou uma visão abrangente do enfrentamento da criminalidade. Além disso, criticou a atuação do bolsonarismo na área.
Bolsa Família
Na entrevista, Lula afirmou que não sabia que o Bolsa Família estava sem reajuste durante seu governo e que ficou irritado ao descobrir a situação, determinando à equipe econômica que adotasse providências.
Para Chico Alencar, a justificativa é difícil de aceitar. O parlamentar ponderou, contudo, que o reajuste representa um benefício concreto para a população atendida pelo programa.
No restante, o deputado avaliou que Lula demonstrou serenidade e firmeza, além de ter adotado um tom menos agressivo do que em entrevistas anteriores.
“O Lula foi muito bem”, resumiu Chico, acrescentando que o presidente praticamente não mencionou o adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ao longo da sabatina.
Debate de domingo
Questionado sobre o debate entre Lula e Flávio, previsto para domingo, 18, na Band, o deputado do Psol avaliou que o presidente poupou o adversário durante a sabatina para confrontá-lo diretamente no encontro.
Chico Alencar defendeu que Lula questione o adversário sobre suas relações políticas e os episódios controversos envolvendo seu nome. O deputado também considera importante que o presidente destaque as realizações de seu governo e confronte Flávio sobre a promessa de manter programas sociais.
Nilto Tatto também defendeu que Lula questione as propostas do adversário, principalmente as relacionadas ao fim da escala 6×1, ao aumento real do salário mínimo e à aposentadoria. Segundo o petista, Flávio não teria condições de cumprir essas promessas porque conta com o apoio de políticos que defendem cortes de despesas sociais.
Jonas Donizette, por sua vez, disse ter expectativa positiva para o confronto. O líder do PSB ressaltou que Lula tem mais experiência em debates eleitorais, inclusive presidenciais.
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