Justiça mantém prisões de Canella e ex-chefe da Polícia Civil
Deputado estadual eleito e Marcus Amim foram alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne
A Justiça manteve nesta sexta, 16, nas audiências de custódia, as prisões do ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e do ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim.
Eles foram presos na quinta, 15, após a Polícia Federal (PF) deflagrar a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação visa desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.
Os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Foram apreendidos 20 veículos de luxo, 33 armas e aproximadamente R$ 90 mil em espécie. Os agentes recolheram ainda 14 celulares, 49 joias e relógios de luxo, além de mídias, equipamentos eletrônicos e documentos diversos.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro.
Desse total, 96 são postos de combustíveis utilizados para camuflar e legalizar recursos de origem criminosa.
“Patrono político”
A apuração da PF também classifica Canella como “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV).
Canella foi alvo da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, o parlamentar eleito atuava como um elo entre o poder público e a rede de postos de combustíveis.
A corporação afirma que a organização criminosa integrada por Canella apresenta um “ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais”. Segundo os investigadores, o grupo estabeleceu “pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política”.
A PF também aponta que a participação de Canella nesse esquema se traduzia em atos de favorecimento e cooptação.
“A inserção ‘Márcio Canella’ nesse ecossistema paramilitar traduz-se em atos concretos de favorecimento e cooptação. A comprovação dessa alegação foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por liame miliciano ao seu quadro de secretários municipais em Belford Roxo”, diz a corporação.
Ainda segundo a PF, Canella seria destinatário de valores provenientes de crimes cometidos pelas organizações criminosas. A corporação destacou a apreensão de um “vasto acervo de relógios de altíssimo valor, os dois veículos de luxo 0 km/seminovos e as duas motocicletas de grife”. Para os investigadores, os bens “convergem com a hipótese criminal de lavagem de capitais”.
A PF também apontou que os indícios de atuação de Canella “em proveito de organizações criminosas” ganham força com áudios divulgados pela imprensa. Para a corporação, as gravações “descortinam espantoso cenário de simbiose espúria”.
A PF ressaltou diálogos entre um capitão da Polícia Militar e lideranças da cúpula do Comando Vermelho. Segundo a PF, o policial “agia expressamente como canal de interlocução e intermediário dos interesses da gestão municipal chefiada por Canella”.
Márcio Canella
Ex-prefeito de Belford Roxo, Canella já havia sido preso em flagrante na sexta fase da Operação Unha e Carne “pelo crime de possuir ou portar arma de fogo de calibre restrito”, segundo a PF.
Na ocasião, os policiais encontrarem um fuzil .556 no interior do veículo do então pré-candidato ao Senado.
Ele era alvo de um mandado de busca e apreensão naquela etapa da Unha e Carne.
A candidatura de Canella ao Senado perdeu força devido à prisão e ele acabou optando por sair candidato a deputado estadual.
Márcio Canella foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, com 197.178 votos.
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