Vermes parasitas fazem tesourinhas caminharem até a água e o segredo parece começar muito antes do mergulho
Nos vermes, mais de 2.600 genes ficaram mais ativos durante a infecção, contra 673 no inseto hospedeiro

O que você vai ver
- Qual parasita manipula o comportamento das tesourinhas e por quê.
- O que inspirou os pesquisadores a investigar esse comportamento específico.
- Como o sequenciamento de RNA foi usado para comparar insetos infectados e saudáveis.
- Quais genes mudaram de atividade tanto no inseto quanto no próprio verme.
- O que o estudo ainda não consegue provar sobre essa manipulação de comportamento.
Tesourinhas-europeias normalmente evitam água aberta, mas quando infectadas por um verme parasita específico passam a caminhar até poças e lagoas, e uma nova pesquisa sugere que essa mudança de comportamento começa muito antes do momento em que o verme finalmente emerge do corpo do inseto.
Qual parasita manipula as tesourinhas e por quê?
O parasita é o nematódeo Mermis nigrescens, verme que precisa alcançar água aberta para completar seu ciclo de vida. Tesourinhas infectadas tendem a se dirigir justamente a esses ambientes, onde o verme finalmente emerge do corpo do hospedeiro, comportamento oposto ao que esses insetos normalmente adotam quando estão saudáveis.
The invertebrate of the day is… Mermis nigrescens, or the Grasshopper Nematode! 🧵 https://t.co/o3kA3ayDQ2
— Weekly Invertebrates 🐌 (@spinelessotd) July 8, 2024
O que inspirou os pesquisadores a investigar esse fenômeno?
A equipe, liderada por Neil J. Gemmell, com participação de pesquisadores da Universidade de Otago, do New Zealand Institute for Bioeconomy Science, da Universidade da Colúmbia Britânica e da Universidade Brown, se inspirou na observação de wētās, insetos neozelandeses encontrados afogados em poças com vermes parasitas saindo de seus corpos, cena que levantou a pergunta sobre o que realmente acontece no organismo do hospedeiro antes desse desfecho.
Como o sequenciamento de RNA comparou os insetos?
A equipe coletou tesourinhas-europeias e comparou indivíduos não infectados com outros em estágios inicial e tardio de infecção, usando sequenciamento de RNA, técnica que mede quais moléculas de RNA estão sendo produzidas no momento em que determinados genes estão ativos, tanto no próprio inseto quanto no verme hospedeiro que carrega dentro dele.
Quais genes mudaram de atividade?
Nas tesourinhas, a infecção aumentou a atividade de genes ligados a percepção sensorial e sinalização, enquanto 593 genes ficaram menos ativos. Já nos vermes, aumentou a atividade de genes ligados a transporte e secreção, com 2.672 genes mais ativos e 2.293 menos ativos, padrão que sugere uma comunicação molecular intensa entre parasita e hospedeiro ao longo da infecção.
European earwig: [arriving in New Zealand] Time to forge a new life on this land. Mermis nigrescens: Imma ’bout to end this bug’s whole career (Photo by Haseeb Randhawa & Ken Miller) https://t.co/rkMKAluKC7 https://t.co/7Z744ZZvJE
— Journal of Helminthology (@JHelminthology) July 2, 2019
O que o estudo ainda não prova?
Apesar de identificar claramente quais genes mudam de atividade durante a infecção, o estudo, publicado na Proceedings of the Royal Society B, não estabelece uma relação direta de causa entre essas mudanças genéticas e o comportamento específico de buscar água, apenas aponta processos moleculares que podem contribuir para essa manipulação, deixando o mecanismo exato ainda por confirmar.
Parasitas e hospedeiros com relações moleculares complexas também aparecem no relato sobre o gene humano encontrado incrustado dentro do genoma de um poxvírus que causa verrugas na pele.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
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