Campanha de Lula acusa Meta de “interferência externa” na eleição
Campanha diz ter recebido 2,5 mil relatos de falhas e anuncia ações na OEA, na ANPD e junto a observadores internacionais
A campanha do presidente Lula (PT) à reeleição acusou nesta quarta-feira, 14, a Meta de promover uma “interferência externa” na eleição presidencial e afirmou ter reunido indícios de tratamento desigual entre conteúdos ligados ao petista e ao adversário Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista coletiva, o líder do PT no Senado e coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (CE), citou problemas em impulsionamentos, visualizações e ferramentas do Instagram e do WhatsApp e disse que a equipe do presidente levará a denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) e a observadores internacionais.
A campanha afirma que os episódios não são isolados. Segundo Camilo, até a inteligência artificial da Meta apresentaria resultados distintos a depender do candidato pesquisado.
“Quando você coloca ‘quero uma bandeira do Lula 13 ou do Flávio 22’, aparece a do Flávio, mas não aparece a do Lula. Quando você faz uma busca do ‘Exército do Lula’, há uma recomendação para você entrar na página da ‘Tropa do Flávio’”, afirmou.
Segundo o petista, a campanha realizou nesta quarta uma reunião com integrantes de países e entidades de 12 países para apresentar as queixas. Segundo ele, a intenção é internacionalizar a denúncia.
“Não podemos admitir essa interferência que está ocorrendo aqui das big techs e, principalmente, da Meta, nessas eleições”, disse.
Camilo afirmou ainda que a campanha tem adotado medidas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pretende acionar também a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e organismos internacionais, como a OEA.
A campanha também criou, segundo ele, uma página para receber relatos de usuários sobre possíveis falhas ou comportamentos considerados anormais nas plataformas. Nos últimos três dias, de acordo com Camilo, foram registradas mais de 2,5 mil denúncias.
Para esta quinta-feira, 15, a campanha pretende reunir os observadores internacionais credenciados junto ao TSE. A ideia, segundo o ministro, é apresentar um relatório que está sendo finalizado com os casos levantados pela equipe de Lula.
Camilo atribuiu a suposta interferência ao crescimento da mobilização da campanha nas ruas e nas redes sociais e citou as tentativas de derrubar o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, como parte do mesmo contexto.
“Sabemos o peso que têm as redes sociais durante uma eleição presidencial, principalmente uma eleição curta, de poucos dias, que é o caso do segundo turno desta eleição”, afirmou.
O secretário de Comunicação do PT e coordenador da campanha de Lula, Éden Valadares, também participou da coletiva e classificou os episódios como parte de um “processo de manipulação da vontade popular”.
Ele afirmou que a página oficial de Lula teria ficado sem o botão de repost por horas e relatou problemas recorrentes nos Stories, como indisponibilidade, silenciamento e aceleração dos conteúdos.
“Os conteúdos produzidos pelo presidente Lula e pela campanha não estão igualmente disponíveis e perfeitamente disponíveis para o eleitorado brasileiro”, disse.
Valadares afirmou ainda que a Meta não teria demonstrado à campanha que os problemas são frutos do acaso. Segundo ele, perfis ligados à candidatura de Flávio não estariam enfrentando as mesmas dificuldades técnicas.
“São mais de 90 ações só referentes às redes sociais no TSE, mas chegou a hora de a gente denunciar à comunidade internacional, começando pela OEA, da qual o Brasil faz parte”, afirmou.
Camilo disse que já havia “indícios” da “interferência externa” durante o primeiro turno.
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