Uma sepultura de 5 mil anos escondia um colar feito com 42 dentes: peças vieram de grandes mamíferos e talvez até de humanos
Sepultura neolítica encontrada na Polônia reúne 42 dentes perfurados, restos humanos e ferramentas de pedra que podem revelar antigas práticas funerárias
Arqueólogos investigavam um cemitério de aproximadamente 1.600 anos na Polônia quando encontraram uma sepultura muito mais antiga, escondida sob o terreno. Dentro dela havia um esqueleto humano, ferramentas de pedra e um colar de 42 dentes com aproximadamente 5 mil anos. A descoberta ocorreu perto de Żórawina, na região da Baixa Silésia, durante escavações realizadas em agosto de 2026. Os dentes apresentam perfurações cuidadosamente produzidas e podem pertencer a lobos, cervídeos, ursos e até humanos. Entretanto, análises genéticas ainda precisam confirmar quais espécies forneceram o material.
Como um colar de 42 dentes apareceu em uma sepultura de 5 mil anos?
A descoberta aconteceu quando pesquisadores da Universidade de Wrocław e da Universidade Médica de Wrocław estavam encerrando os trabalhos em um cemitério dos séculos IV e V. Durante a limpeza da área, identificaram uma estrutura circular com aproximadamente quatro metros de diâmetro.
Ao escavar o centro, encontraram 42 dentes organizados cuidadosamente. Todos apresentavam pequenos furos nas raízes, indicando que provavelmente estavam presos a algum tipo de cordão. Embora esse material orgânico tenha desaparecido, a disposição das peças permitiu reconhecer um ornamento produzido intencionalmente.
Quais animais forneceram os dentes usados no colar pré-histórico?
O antropólogo Paweł Dąbrowski examinou inicialmente os dentes e identificou características compatíveis com incisivos e caninos de grandes mamíferos. Entre as possibilidades estão animais da família dos cães, cervídeos e ursos.
A hipótese de que alguns dentes pertençam a humanos também não foi descartada. Entretanto, os pesquisadores precisam realizar análises de DNA para determinar suas origens com maior segurança.
Entre os principais objetos encontrados estavam:
- Colar formado por 42 dentes perfurados;
- Contas ornamentais de âmbar e osso;
- Esqueleto quase completo de um homem adulto;
- Fragmentos de outros dois crânios humanos;
- Pequena ponta e lâmina de sílex;
- Machado de pedra feito de serpentinito.

Por que os arqueólogos suspeitam que a sepultura pertencia a alguém importante?
O conjunto funerário apresenta objetos que exigiam habilidades específicas para sua fabricação. Perfurar dezenas de dentes sem quebrá-los, produzir instrumentos de pedra e reunir materiais ornamentais demonstra investimento na preparação do sepultamento.
Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que o homem fosse um caçador, guerreiro ou integrante importante de sua comunidade. Entretanto, esses objetos não comprovam sua ocupação ou posição social. O significado do colar também permanece desconhecido, podendo envolver ornamentação pessoal, identidade ou práticas simbólicas.
O que a descoberta revela sobre a cultura Corded Ware na Polônia?
Segundo o comunicado científico da Universidade Médica de Wrocław, publicado em setembro de 2026, o formato do machado encontrado junto ao esqueleto sugere uma data próxima de 2900 a.C. Essa cronologia permite associar provisoriamente a sepultura ao horizonte da cultura da cerâmica cordada, conhecida como Corded Ware.
Essa tradição arqueológica se espalhou por extensas regiões europeias durante o terceiro milênio antes de Cristo. Suas comunidades utilizavam ferramentas de pedra, produziam cerâmicas características e apresentavam práticas funerárias variadas. Entretanto, a datação do túmulo ainda precisa de confirmação por radiocarbono.
Quais detalhes tornam essa sepultura diferente de outras descobertas?
Além do colar, os arqueólogos encontraram fragmentos de dois crânios humanos próximos ao enterramento principal. A disposição levantou a hipótese de deposição ritual, mas ainda não foi possível determinar se os indivíduos tiveram suas cabeças removidas intencionalmente.
O machado de serpentinito também apresenta sinais de utilização anteriores ao sepultamento. Essas marcas indicam que não era necessariamente um objeto produzido apenas para acompanhar o morto.
| Evidência encontrada | Interpretação arqueológica |
|---|---|
| 42 dentes perfurados | Componentes de um colar. |
| Esqueleto masculino | Provável ocupante principal. |
| Dois crânios adicionais | Origem e deposição em investigação. |
| Machado de serpentinito | Indica data aproximada de 2900 a.C. |
Como o DNA poderá esclarecer os mistérios dessa descoberta?
Os pesquisadores planejam combinar análises genéticas, isotópicas e antropológicas. O DNA poderá identificar os animais representados no colar e investigar possíveis relações biológicas entre os restos humanos encontrados na sepultura.
Análises de isótopos de estrôncio também poderão fornecer pistas sobre a origem geográfica dos indivíduos. O estudo poderá ajudar a reconstruir deslocamentos populacionais na Baixa Silésia há aproximadamente cinco milênios. Por enquanto, a identificação dos dentes humanos, a função ritual dos objetos e a história das pessoas enterradas permanecem questões abertas.
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