Fim da 6×1: apoio da oposição é “cálculo eleitoral”, diz líder do governo
Teresa Leitão diz que adesão de oposicionistas ocorreu após críticas à PEC e afirma que governo já tinha votos para aprová-la
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), atribuiu a um “cálculo eleitoral” a mudança de posição da oposição em relação ao fim da escala 6×1.
Segundo a senadora, adversários que antes acusavam a proposta de ter caráter eleitoreiro mudaram de postura diante da popularidade da medida, que, afirmou, tem aprovação superior a 70% da população.
Na terça-feira, o senador e candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro (RJ), que antes criticava a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso – uma das prioridades do governo Lula (PT) no Congresso -, afirmou que votará a favor do texto.
“Eu acho que é cálculo eleitoral [a mudança de postura da oposição]. Porque eles sempre disseram que nós é que estávamos fazendo dessa PEC um caráter eleitoreiro. Eu mesmo fui acusada disso. ‘É uma PEC eleitoreira, tinha que esperar terminar a eleição’, e nós dizíamos que não. Essa PEC foi protocolada em 2019. O governo Bolsonaro foi que não botou ela para andar“, falou Teresa Leitão, em entrevista a jornalistas.
“Com a eleição de Lula, ela começou a andar lá na Câmara, chegou aqui em maio. Por circunstâncias alheais à nossa vontade, ela não tramitou, mas podia estar aprovada antes do período eleitoral. Posição eleitoral é de quem muda de posição. Votos são sempre bem-vindos. Quanto mais votos a gente tiver, melhor. Mas evidentemente que isso vai ficar demarcado“.
Ela prosseguiu: “Foi um cálculo eleitoral porque essa PEC tem aprovação de mais de 70% da população. Quem vai ser contra isso? Mas é bom também que a sociedade saiba que, agregada a essa posição de mudança de voto, existe outra posição já dita: ‘Vamos fazer melhor’, ou seja, ‘nós vamos mudar essa PEC’. Então é bom que a gente saiba quem está votando com convicção e quem está votando movido por outros interesses”.
Ela ressaltou que a base do governo já possuía mais de 49 votos favoráveis à PEC, mas que não vai rejeitar o apoio de oposicionistas que quiserem votar “sim”.
Ainda de acordo com Teresa Leitão, a PEC pode ser votada nos dois turnos no plenário do Senado ainda hoje.
“Ontem nós concluímos todo o processo de apoiamento ao calendário especial. Estamos com 56 assinaturas, incluindo blocos e partidos. Então, o calendário certamente será aprovado. Hoje é a quinta sessão de discussão exigida pelo regimento. Cumprindo o rito regimental, aprovado o calendário especial, a PEC pode ir a votação. Com o calendário especial, nós esperamos votar o primeiro turno e o segundo turno, sem interstício, ainda hoje“, disse a petista.
Uma Proposta de Emenda à Constituição precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação, para ser aprovada no plenário da Casa Alta.
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