Fundada por 139 italianos de Veneza e Treviso, a cidade catarinense que trocou o carvão pela cerâmica está entre as 50 melhores do Brasil para viver
A mineração marcou a história antes de outros setores ganharem espaço
Criciúma, em Santa Catarina, cresceu sobre uma das maiores reservas de carvão do país e hoje coleciona prêmios de inovação, rankings de competitividade e uma mina transformada em atração turística. A herança dos imigrantes do norte da Itália aparece na festa mais famosa da cidade e até em uma cidade-irmã do outro lado do oceano.
Como Criciúma entrou na lista das 50 melhores cidades do Brasil para viver?
O reconhecimento veio do ranking da Austin Rating, publicado pela revista Veja Negócios. Segundo a Prefeitura de Criciúma, a cidade ficou em 44º lugar no Índice Integrado de Desenvolvimento Sustentável, em 32º entre os municípios de grande porte e em 8º em Santa Catarina. No indicador digital, liderou o país entre as cidades grandes, com internet de banda larga presente em 94% dos lares.
O desempenho se repete em outro levantamento nacional. No Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, do Centro de Liderança Pública (CLP), Criciúma aparece em 33º lugar entre 423 cidades e em 2º entre as 62 que têm de 200 mil a 300 mil habitantes. Abrir uma empresa na cidade leva, em média, 2,3 horas, o melhor tempo de Santa Catarina.

Da colonização italiana ao ranking de cidades inteligentes, alguns números resumem a trajetória do município:
Por que Criciúma é chamada de Capital Brasileira do Carvão?
O apelido nasceu do subsolo. A cidade foi fundada em 6 de janeiro de 1880 por 139 imigrantes vindos das regiões de Veneza e Treviso, de acordo com a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Os colonos viveram da agricultura e do pequeno comércio até que a extração de carvão deu à economia um salto que transformou a vila em centro industrial.
Quando o ciclo da mineração perdeu força, a indústria encontrou outro caminho. Conforme o portal Viva Criciúma, da prefeitura, a cidade é conhecida tanto pelo carvão quanto pelo revestimento cerâmico. A ligação com a Europa também se ampliou: depois dos italianos chegaram poloneses, alemães, portugueses e árabes, e Criciúma mantém laço de cidade-irmã com Vittorio Veneto, na Itália.
Os prêmios que colocaram Criciúma no mapa das cidades inteligentes
No ranking da Plataforma Connected Smart Cities, Criciúma ocupa o 16º lugar entre as cidades mais inteligentes do Brasil. Em 2026, foi o único município catarinense a sediar a reunião estratégica regional da plataforma, realizada no Centro de Inovação Criciúma (Crio).
No principal evento do setor, em São Paulo, a cidade somou quatro reconhecimentos nacionais, de acordo com o balanço da prefeitura. Um deles foi para o projeto Criciúma Sustentável, terceiro colocado entre mais de 150 iniciativas avaliadas.
O que fazer em Criciúma além das fábricas?
A memória do carvão e a herança dos imigrantes viraram roteiro. Museus, parques e até uma galeria subterrânea ajudam a contar como a pequena colônia se tornou a maior cidade do sul catarinense.
Da mina de carvão à festa das etnias
Alguns endereços concentram a melhor experiência para quem quer conhecer a cidade de perto:
- Mina de Visitação Octávio Fontana: a única mina de carvão aberta à visitação pública no Brasil, inaugurada em 2011, mostra como era o trabalho dos mineiros.
- Museu de Colonização Augusto Casagrande: antigo sobrado com a arquitetura típica do interior da Itália do século XIX.
- Memorial da Cidade: homenageia as cinco etnias formadoras do povo criciumense e guarda no subsolo o Museu da Cidade.
- Parque das Nações: amplo espaço verde para caminhadas e grandes eventos, incluindo a festa mais tradicional da cidade.
- Parque Astronômico Albert Einstein: opção fora do óbvio, dedicada à observação do céu e à divulgação científica.
- Estádio Heriberto Hülse: casa do Criciúma Esporte Clube, que venceu o Grêmio na final e conquistou a Copa do Brasil de 1991.
- Festa das Etnias: nascida como Quermesse da Tradição e Cultura, reúne em setembro a gastronomia e a música dos povos que colonizaram a região.
Quem quer desbravar o sul de Santa Catarina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Arthur e Lika na Viagem, que conta com mais de 33 mil visualizações, onde Arthur e Lika mostram os parques urbanos e atrações de Criciúma:
Como é o clima de Criciúma ao longo do ano?
Criciúma tem chuva bem distribuída durante todo o ano, sem uma estação seca definida. Os verões são quentes, com máximas médias de 27°C, e o inverno traz madrugadas que ficam perto de 12°C em julho.
Criciúma em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo para Criciúma. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do tempo para Criciúma.
Uma cidade que reinventou o próprio subsolo
Criciúma tirou da terra a riqueza que a fez crescer e soube transformar essa memória em cultura, turismo e inovação. Os sobrenomes vênetos seguem nas ruas, agora ao lado de centros de tecnologia e rankings que colocam a cidade entre as mais bem avaliadas do país.
Você precisa descer à mina, provar a mesa da Festa das Etnias e conhecer de perto a cidade catarinense que transformou carvão em qualidade de vida.
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