Cidade brasileira fundada por famílias do norte da Itália, onde 9 em cada 10 moradores têm raízes italianas
A influência italiana aparece na comida, nas festas e nos costumes familiares
Santa Teresa, no Espírito Santo, nasceu em 1874 com famílias vindas do norte da Itália e ainda guarda esse sotaque europeu entre as montanhas. Entre vinícolas, casarões de colonos e um festival internacional de jazz, a cidade virou refúgio de quem troca o calor do litoral por noites frescas, vinho de colônia e mesa farta na serra.
Por que Santa Teresa parece um pedaço do norte da Itália?
A resposta começa em 26 de junho de 1874, quando famílias italianas receberam lotes no antigo Núcleo de Timbuí, origem da cidade. Segundo a Prefeitura de Santa Teresa, os colonos vieram sobretudo de Trento, do Vêneto e da Lombardia, e cerca de 90% da população atual tem ascendência italiana. Uma lei federal reconhece o município como pioneiro da imigração italiana no Brasil.
A conexão europeia não ficou restrita à Itália. Em 1877 chegaram os primeiros alemães, suíços e poloneses, e os colonos testaram na serra culturas típicas do Trentino, como a videira e o bicho-da-seda. A videira prosperou: o município responde hoje por 80% da produção de uva e vinho capixaba.

Alguns marcos ajudam a entender como a antiga colônia virou um dos destinos mais procurados da serra capixaba:
Santa Teresa é a capital capixaba do jazz e do blues
O título veio com a Lei 226/2012, que transformou a cidade em Capital Estadual do Jazz e do Blues, e ganha vida todo mês de junho no Santa Jazz. Em 2026, a 13ª edição do festival levou ao Parque de Exposições músicos do Brasil, dos Estados Unidos, da Inglaterra, do Canadá e da Itália, com nomes como João Bosco e o guitarrista norte-americano Stanley Jordan, além de uma praça gastronômica com pratos de inspiração italiana.
Emancipada em 1891, a cidade mantém um calendário que mistura música e tradição. A Festa do Imigrante Italiano acontece em junho, e a Festa da Uva e do Vinho resgata a pisa da uva, o jeito artesanal que os colonos usavam para produzir suco e vinho.

O que fazer em Santa Teresa para sentir a herança europeia?
O passado dos colonos está espalhado pelos vales ao redor do centro. De acordo com o Governo do Espírito Santo, o Vale do Canaã é um retrato histórico da colonização italiana, e o Circuito Caravaggio reúne cantinas, restaurantes, sítios e pousadas ao longo de 14 km de estrada rural.
Roteiro entre vales, vinícolas e casarões
Alguns endereços concentram a melhor experiência para quem quer conhecer a cidade além do centro:
- Vale do Canaã: o mirante reproduz trechos do romance Canaã, de Graça Aranha, inspirado na vida dos colonos europeus da região.
- Casa Lambert: construída em 1875 e tombada como patrimônio estadual em 1985, funciona como museu com fotos, objetos e documentos da imigração.
- Circuito Caravaggio: estrada rural com vinícolas, cantinas, cafés e pousadas de agroturismo cercadas por Mata Atlântica.
- Vale do Tabocas: reúne vinícolas familiares menores, uma opção fora do óbvio para quem quer provar rótulos produzidos com uva da própria propriedade.
- Museu de Biologia Professor Mello Leitão: fundado por Augusto Ruschi, fica no centro e tem jardins e viveiros abertos à visitação.
- Rampa de voo livre: mirante natural com vista ampla do Vale do Caravaggio e das montanhas da serra capixaba.
Quem deseja conhecer a herança italiana no Espírito Santo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 1 milhão de visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra os encantos de Santa Teresa:
Como chegar a Santa Teresa saindo de Vitória?
A cidade fica a cerca de 80 km de Vitória. O caminho segue pela BR-101 no sentido norte até Fundão e, de lá, pela ES-164, que sobe 28 km de serra até o centro.
A subida faz parte da experiência: a estrada troca a paisagem do litoral por encostas de mata e plantações em poucos quilômetros. Quem chega de avião desembarca no aeroporto da capital e completa o trajeto de carro ou ônibus intermunicipal.
Como é o clima de Santa Teresa ao longo do ano?
Pelas normais climatológicas de 30 anos, as máximas médias de Santa Teresa não passam de 29°C nem no verão, e as mínimas de julho ficam perto de 12°C. As chuvas se concentram entre novembro e janeiro, enquanto o inverno é a estação mais seca e fresca do ano.
Santa Teresa em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas normais climatológicas 1981-2010 do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para a estação de Santa Teresa. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte o Climatempo.
Um pedaço da Europa na serra capixaba
Santa Teresa reúne em poucos quilômetros a memória dos colonos do norte da Itália, adegas familiares e um clima que pede casaco nas noites de inverno. A cidade preservou o que trouxe da Europa sem virar cenário: segue vivendo da terra, da música e da mesa.
Você precisa subir a serra até Santa Teresa, provar um vinho de colônia no Caravaggio e descobrir por que o Espírito Santo tem um pedaço da Itália tão perto do mar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)