Cientistas retiraram pedras do fundo do mar e elas pegaram fogo sozinhas
O comportamento inesperado só apareceu depois que as pedras chegaram à superfície
Rochas retiradas das profundezas do oceano começaram a pegar fogo durante análises científicas, sem que os pesquisadores aplicassem uma chama diretamente sobre elas. O fenômeno foi registrado em amostras de rochas do fundo do mar, coletadas na região de Escanaba Trough, no oceano Pacífico. Um estudo publicado em setembro de 2026 identificou uma reação química capaz de liberar calor suficiente para provocar combustão espontânea em determinados minerais.
De onde vieram as rochas que pegaram fogo no laboratório?
As rochas vieram de Escanaba Trough, uma região geológica localizada no oceano Pacífico, a oeste da costa dos Estados Unidos, perto dos estados de Oregon e Califórnia. O local faz parte de uma área onde a crosta terrestre se movimenta e permite a circulação de água aquecida no interior do fundo oceânico.
A região recebeu uma expedição científica entre maio e junho de 2022. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, pesquisadores utilizaram robôs submarinos para explorar áreas de até 3.300 metros de profundidade e recolher amostras de rochas, água e organismos.
O fundo dessa região possui depósitos de minerais formados quando água muito quente, carregada de substâncias dissolvidas, entra em contato com a água fria do oceano. Parte desses depósitos contém ferro, enxofre, cobre e zinco.

O que aconteceu quando os cientistas analisaram as pedras?
Algumas das amostras entraram em combustão durante o processamento em laboratório. A reação chamou atenção porque os pesquisadores não estavam tentando queimar o material. O aquecimento ocorreu pelas propriedades químicas dos minerais presentes nas rochas.
O estudo conduzido pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, publicado na revista Scientific Reports, comparou amostras que pegaram fogo com outras da mesma região que não apresentaram o fenômeno.
Os pesquisadores examinaram a composição química, a organização dos cristais e o comportamento dos minerais durante o aquecimento. Também fizeram cálculos para entender quais reações poderiam liberar a energia necessária para iniciar o fogo.

Por que essas rochas conseguem pegar fogo sem uma chama?
A principal causa apontada pelo estudo é a oxidação de minerais que contêm ferro e enxofre. Quando esses minerais reagem com o oxigênio, podem liberar calor. Dependendo da composição e das condições do material, o aquecimento pode favorecer novas reações.
As amostras que pegaram fogo continham principalmente marcasita, um mineral formado por ferro e enxofre. Os cientistas observaram que ela havia substituído parte de outro mineral, chamado pirrotita, mantendo características da estrutura anterior.
Essa transformação produziu cristais extremamente pequenos e uma estrutura menos estável, que pode reagir com maior facilidade.
O processo envolve três características importantes:
Por que nem todas as rochas do oceano apresentam esse comportamento?
A combustão depende da composição e da estrutura de cada depósito mineral. Mesmo entre as amostras retiradas de Escanaba Trough, algumas pegaram fogo e outras permaneceram estáveis durante o processamento.
Os pesquisadores concluíram que as rochas que queimaram tinham características minerais diferentes das encontradas nas amostras que não queimaram. O estudo não demonstra que todas as rochas submarinas possam entrar em combustão quando expostas ao ar.
A formação desses depósitos também depende da atividade geológica. A NOAA explica a geologia de Escanaba Trough, onde a água circula por rochas aquecidas no subsolo e transporta substâncias que depois formam depósitos minerais no fundo marinho.
O que a descoberta significa para a mineração no fundo do mar?
O fenômeno revelou um possível risco de incêndio durante o transporte, processamento ou armazenamento de certos minerais submarinos. Se depósitos semelhantes forem explorados comercialmente, as rochas poderão passar por mudanças de temperatura, pressão e contato com o oxigênio ao chegar à superfície.
Essas condições podem alterar a maneira como os minerais reagem. Técnicas de segurança desenvolvidas para depósitos terrestres talvez não sejam suficientes para todos os tipos de material retirado do fundo do oceano.
Isso não significa que a mineração submarina inevitavelmente provocará incêndios. A pesquisa identificou um comportamento específico e recomenda que a composição de cada depósito seja estudada antes de qualquer operação.
O que os pesquisadores precisam investigar agora?
O próximo desafio será identificar quais combinações minerais favorecem o aquecimento espontâneo e em quais condições a reação pode ser controlada. Esses dados poderão ajudar a definir cuidados para atividades que envolvam minerais ricos em ferro e enxofre.
O trabalho também amplia o conhecimento sobre materiais formados em regiões hidrotermais do oceano. A descoberta mostra que retirar uma rocha de seu ambiente natural pode alterar seu comportamento químico, criando riscos que não eram evidentes enquanto ela permanecia submersa.
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