“Não ataquem Nunes Marques”, pede Janones ao “Exército do Lula”
Em áudio no canal, deputado diz que cumprirá decisões judiciais e afirma confiar na imparcialidade do presidente do TSE
O deputado federal André Janones (Rede-MG) pediu nesta terça-feira, 13, aos integrantes do “Exército do Lula” que não ataquem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, nem a Justiça Eleitoral.
Em áudio enviado ao canal no WhatsApp, o deputado afirmou que cumprirá todas as decisões judiciais, disse confiar na imparcialidade do ministro e classificou o grupo como um “exército democrático”.
A mensagem foi enviada após Nunes Marques voltar nesta terça a impor restrições ao canal, condicionando sua retomada ao cumprimento de exigências da Justiça Eleitoral.
“A extrema-direita se consolidou, se consagrou, atacando o Judiciário, atacando as nossas instituições, atacando a imprensa. Foi assim que eles fortaleceram. Nós não vamos fazer o mesmo. Eu agora poderia… nós estamos aqui com quase 4,3 milhões de pessoas obedecendo meus comandos, seguindo meus comandos. Poderia usar isso aqui agora pra mirar esse canhão no Poder Judiciário, no TSE, na imprensa, chamar a imprensa de golpista“, diz Janones no áudio.
“Nós não vamos fazer isso, porque nosso exército é um exército democrático. Nós não vamos ser o mesma coisa que o bolsonarismo, mas com o sinal trocado. Aqui não é uma luta pra saber se quem vai ser ditador é a direita ou a esquerda. Aqui é uma luta em defesa da democracia. Então, eu disse tudo isso pra pedir o seguinte: sem ataques ao ministro”.
Janones prossegue: “Eu aprendi como advogado que decisão judicial a gente não discute, a gente cumpre. Eu vou cumprir todas. Eu vou lutar aqui com vocês pra mobilizar, pra denunciar, vou lutar com os meus advogados, mas nós não atacaremos a Justiça. Eles querem isso. Eles querem que vire tudo uma bagunça, um balaio só, pro povo desacreditar no Poder Judiciário. Eu confio na Justiça brasileira. Se eu duvidar, eu posso mudar do Brasil”.
Na sequência, ele reforça o pedido para não atacarem os ministros, Nunes Marques nem o TSE.
“Não caiam na armadilha. É isso que eles querem. Eles querem enfraquecer as instituições. Não ataquem. Ataquem quem pediu isso. A gente não tem que levar pro debate político a Justiça. A Justiça tem que tá fora dos holofotes pra ela saber poder decidir com equilíbrio. A Justiça não pode deixar interferir, nas suas decisões, as brigas de nós, políticos”.
Ele ressalta que os políticos têm o direito de brigar, “digladiar” e criticar seus adversário.
“Mas não levem isso pra dentro do Poder Judiciário, não. O Brasil chegou na situação que chegou por conta disso, porque toda vez que um ministro STF dava uma decisão contrária à extrema-direita, eles iam lá e mirava o canhão deles, mandava todo mundo atacar o STF. Por isso que hoje o STF é tão mal visto. Eles querem derrubar a Justiça pra impor uma ditadura”.
O bolsonarismo, acrescenta Janones, quer “descredibilizar o STF”. “Eu confio no ministro Kassio Nunes Marques, na imparcialidade dele. Eu confio no TSE. Eu confio no STF. Eu sou um democrata e eu confio na Justiça brasileira. Nós vamos vencer pelo caminho do bem, pelo caminho da democracia, porque nós somos um exército democrático”, conclui.
Decisão de Nunes Marques
Em sua decisão, Nunes Marques estabeleceu que o endereço do “Exército do Lula” deveria ser informado à Justiça Eleitoral no processo de registro da candidatura ou da coligação à qual estiver vinculado. Depois da comprovação da medida, deverá ser observado o prazo de 48 horas previsto na regulamentação eleitoral.
A decisão também prevê a possibilidade de responsabilização do administrador do canal, da coligação e dos candidatos responsáveis pelo registro da ferramenta. Eventuais punições serão analisadas em processos próprios, segundo o despacho de Nunes Marques.
Ele ainda proibiu a divulgação de eventuais conteúdos que sejam classificados como fake news ou de materiais que foram excluídos por determinação do TSE.
Além disso, o presidente do TSE também ressaltou que os canais de WhatsApp de Flávio também passarão pelos “mesmos critérios de acompanhamento, comparação de conteúdos e encaminhamento à autoridade competente”.
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