Tubos vão percorrer 688 km para levar água tratada de um açude a 9 cidades e 38 distritos no sertão cearense
A nova rede pretende ampliar o acesso à água tratada em áreas do interior
Grandes tubulações estão formando uma rede de abastecimento que atravessa o sertão cearense para levar água tratada a cidades distantes dos principais reservatórios. O Sistema Adutor Banabuiú–Sertão Central, integrante do projeto Malha D’Água, terá 688 km de tubulações para atender nove cidades e 38 distritos. Com investimento previsto de R$ 675 milhões, a estrutura deverá beneficiar aproximadamente 280 mil pessoas e já teve seu primeiro setor inaugurado.
Por onde passam os 688 km de tubulações no sertão cearense?
Os 688 km do Sistema Adutor Banabuiú–Sertão Central formam uma rede composta por uma linha principal e ramais que levam a água até diferentes localidades. A extensão total não corresponde a uma única tubulação contínua, mas à soma dos caminhos previstos para distribuir a água tratada.
Segundo a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará, o sistema foi dividido em 291,61 km de adutora principal e 396,48 km de ramais secundários. O planejamento prevê instalar boa parte das tubulações ao longo das faixas de domínio de rodovias existentes, reduzindo a necessidade de abrir novos corredores pelo terreno.
Essa distribuição permite que a água avance pelo eixo principal e siga por ramificações até sedes municipais e distritos. Cada trecho precisa ser dimensionado conforme a distância, a diferença de altitude e a quantidade de água necessária aos locais atendidos.

Como a água sai do Açude Banabuiú e chega tratada às cidades?
A água será captada no Açude Arrojado Lisboa, conhecido como Açude Banabuiú, e encaminhada à estação de tratamento instalada nas proximidades do reservatório. Depois de tratada, ela seguirá pelas adutoras até os pontos de distribuição previstos no Sertão Central.
A estação utiliza ultrafiltração, tecnologia na qual a água atravessa membranas capazes de reter partículas muito pequenas e outros materiais presentes no líquido. A Cagece confirmou a adoção dessa tecnologia para a unidade de Banabuiú, como parte da modernização dos sistemas de abastecimento cearenses.
A proposta é concentrar o tratamento em uma instalação de grande porte, em vez de depender exclusivamente de pequenas estações em cada município. Após o tratamento, a água poderá seguir para reservatórios locais e entrar nos sistemas responsáveis pelo abastecimento das comunidades.
Quem busca entender os grandes projetos hídricos do Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Obras que Transformam, que conta com mais de 400 visualizações, onde mostram o plano das adutoras no Ceará:
Quais são as nove cidades que receberão água do sistema?
O Sistema Adutor Banabuiú–Sertão Central foi planejado para atender nove sedes municipais do interior do Ceará. Os municípios estão distribuídos por uma região historicamente afetada por períodos prolongados de estiagem.
As cidades incluídas no projeto são:
- Banabuiú
- Jaguaretama
- Solonópole
- Milhã
- Deputado Irapuan Pinheiro
- Senador Pompeu
- Piquet Carneiro
- Mombaça
- Pedra Branca
Além dessas sedes, a rede foi projetada para alcançar 38 distritos selecionados. A documentação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional apresenta um público potencial de aproximadamente 280 mil pessoas quando o sistema estiver completo.
Os ramais são importantes porque o abastecimento precisa chegar também às localidades fora dos centros urbanos. Sem essas ramificações, a adutora principal poderia atravessar a região sem alcançar todas as comunidades contempladas pelo projeto.
Por que uma adutora tão extensa precisa de estações de bombeamento?
As estações elevatórias são necessárias para impulsionar a água em trechos onde a pressão disponível não seria suficiente para vencer o relevo. Bombas movimentadas por motores elétricos ajudam a conduzir a água tratada até os pontos mais altos da rede.
Em abril de 2026, a Secretaria da Infraestrutura do Ceará anunciou a conclusão e energização da Subestação de Banabuiú. O equipamento opera em 69 kV e foi construído para reforçar o fornecimento elétrico necessário ao sistema adutor.
A secretaria também confirmou a conclusão da infraestrutura elétrica da Estação Elevatória de Água Tratada 05. Na mesma atualização, o atendimento à estação elevatória 06 e as redes definitivas para a captação e o tratamento ainda estavam em execução.
Essa necessidade de energia diferencia o projeto cearense de outras soluções hidráulicas. No Canal do Sertão Baiano, projetado para transportar água por 297 km utilizando a gravidade, a diferença natural de altitude permite dispensar estações elevatórias ao longo do eixo principal, depois da captação inicial.
Quanto custa a obra e o que foi inaugurado em agosto de 2025?
O investimento total previsto para o Sistema Adutor Banabuiú–Sertão Central é de R$ 675 milhões. A quantia contempla a implantação das estruturas necessárias para captar, tratar e transportar água até as localidades incluídas no projeto.
Em 12 de agosto de 2025, o Governo do Ceará inaugurou o primeiro setor do Malha D’Água, em uma cerimônia realizada na estação de tratamento de Banabuiú. Na ocasião, o governo federal informou que R$ 432,8 milhões já haviam sido aplicados em obras e serviços.
A entrega representou o início de uma nova etapa do abastecimento regional, mas não significou que toda a rede de 688 km estivesse concluída. A implantação foi organizada em setores, permitindo avançar com a estação de tratamento e os trechos de distribuição de acordo com suas etapas de construção.
O projeto recebeu recursos associados ao financiamento do Banco Mundial e à participação do Governo do Ceará. Além das tubulações, sua execução envolve instalações hidráulicas, equipamentos de tratamento e estruturas elétricas necessárias ao funcionamento.
Quando o sistema completo deverá atender o Sertão Central?
O Malha D’Água estava com 86% de execução física em abril de 2026, segundo a atualização divulgada pelo Governo do Ceará. Naquele momento, a previsão oficial era concluir o empreendimento até o fim de 2026, mas a documentação consultada não confirma que todos os setores já tenham sido entregues.
A ampliação do abastecimento depende da conclusão dos trechos restantes, dos testes dos equipamentos e da integração com os sistemas locais. A Cagece foi designada para operar provisoriamente o sistema, conforme informação publicada pela Secretaria dos Recursos Hídricos em 2025.
Quando toda a rede estiver funcionando, o objetivo é reduzir a dependência de captações locais mais vulneráveis à estiagem. A segurança do abastecimento continuará relacionada à disponibilidade de água no Açude Banabuiú e às regras de operação do reservatório.
Com a rede concluída, a água captada e tratada em Banabuiú poderá seguir por centenas de quilômetros até as cidades e os distritos do Sertão Central. Para essas comunidades, a mudança estará na possibilidade de receber água tratada por uma infraestrutura regional, sem depender exclusivamente dos reservatórios próximos de cada localidade.
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