Campanha de Flávio apresentará novo relatório ao TSE sobre “Exército do Lula”
Campanha diz ter espelhado canal em tempo real e preservado conteúdos apagados por André Janones antes da análise do TSE
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente informou nesta segunda-feira, 12, que apresentará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um novo relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”, com material que afirma ter preservado por meio de espelhamento em tempo real.
A equipe do candidato contesta a análise da área técnica da Corte e sustenta que parte dos conteúdos e comandos do canal foi apagada antes da verificação.
Como mostramos, a área técnica do TSE não encontrou, entre 2 e 11 de outubro, publicações no canal “Exército do Lula” que reproduzissem as afirmações investigadas pela Corte.
O relatório, porém, apontou uma estrutura de mobilização centralizada e sincronizada, com elevado alcance potencial e capacidade de amplificação de conteúdos às vésperas do segundo turno.
Segundo a campanha de Flávio, o canal de WhatsApp “utilizado para difusão em massa também de conteúdo abertamente desinformativo conservava a estratégia de apagar sistematicamente comandos e os conteúdos disparados, justamente para inviabilizar o controle tanto pela Plataforma, como pelo Tribunal Superior Eleitoral“.
Apenas na madrugada de 8 de outubro, quando já circulavam nas redes sociais notícias sobre possível questionamento judicial do canal, diz a nota, “Janones enviou a mensagem de que ‘não divulgará uma única fake news até o final da campanha’ e 42 minutos depois apagou 219 publicações em 18 minutos”.
Segundo a campanha do candidato do PL, entre as mensagens apagadas, estavam os links e as ordens que ligavam o canal a vídeos sobre “a falsa informação do cancelamento do reajuste do Bolsa Família e de redução de aposentadorias”. “Esses dois conteúdos ilícitos, por exemplo, seguem nas redes e somam, respectivamente, 920 mil e 3,1 milhões de visualizações”.
A nota afirma que “essa sistemática de apagamento dos conteúdos ilícitos e dos comandos a eles associados foi expressamente denunciada ao Ilustre Ministro Corregedor, na Ação de Investigação Judicial Eleitoral ajuizada pela campanha“.
Conforme a campanha, foi para evitar o perdimento em massa da cadeia de custódia dessas provas que a ação foi movida em segredo de justiça, com pedido expresso de que assim permanecesse até que a Meta conservasse todos os dados e conteúdos do canal.
“Esse pedido explícito estava ao final da peça e, também, com todo destaque possível, em vermelho, no cabeçalho da petição inicial”.
Mesmo assim, pontua a nota, o corregedor, dois dias após a apresentação da ação em segredo, “optou não apenas por não determinar a conservação de dado algum, como também retirou o segredo dos autos, solicitando apenas esclarecimentos e a oitiva das partes”.
Isso, prossegue a nota, “a despeito do alerta explícito feito na inicial de que a metodologia usada para burlar o controle da Justiça Eleitoral passava pelo apagamento sistemático de dados. Não é surpresa que nada mais fosse encontrado no canal”.
A campanha ressalta que, apesar disso, fez o espelhamento em tempo real do canal e já tinha acautelado o material na Secretaria Judiciária do TSE, quando a ação foi protocolada.
“Esse conteúdo será atualizado e submetido à Presidência do Tribunal Superior Eleitoral. O canal é um exemplo de burla a todos os instrumentos de controle. Orienta os seguidores a não ‘encaminharem’ os conteúdos ali postados, tendo em vista que há limites de encaminhamento justamente para evitar a disseminação em massa de material ilegal”.
De acordo com a equipe de Flávio, “a orientação é a de que todos copiem e colem, fugindo a qualquer tipo de limitação quantitativa. Também há orientações sobre mudança no sistema de sinalização que é próprio dos canais e o pedido de que todos divulguem os conteúdos ali postados sem sequer assistirem os vídeos respectivos, para enganar os algoritmos da plataforma, ampliando a relevância”.
Esses pontos foram noticiados ao TSE e revelariam “os deliberados descumprimentos do Plano de Conformidade”.
Comandos
A campanha diz que outro comportamento que favorece a burla de todos os mecanismos de controle é o de não digitar conteúdos desinformativos.
“Janones escreve, digita, apenas o comando: ‘EXPLODAM’, ‘COMPARTILHEM’ e associa o comando a links de mídias. Isso dificulta o controle daquilo que está sendo disseminado. O falso está no link, e não no comando. Esse comportamento deliberado de fuga aos mecanismos de controle é tão efetivo que a própria Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, em seu relatório, não conseguiu detectar os ilícitos cometidos no canal”.
A nota pontua que tudo isso revela o flagrante descumprimento do Plano de Conformidade celebrado entre a Plataforma e o TSE, que veda o uso de canais para fins ilícitos ou sua instrumentalização para inviabilizar qualquer controle.
“Seja como for, a campanha desde já esclarece que encaminhará ao TSE novo relatório técnico sobre o canal, inclusive com o espalhamento em tempo real que realizou, com a conservação de grande parte do conteúdo que Janones apagou. Proibir a disseminação de fake news e combater canais que deliberadamente se comportam de forma a burlar os mecanismos de controle não é e nem nunca foi censura. É obrigação legal”, conclui a nota.
O que é o “Exército do Lula”?
O “Exército do Lula” é um canal de WhatsApp administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), criado após o primeiro turno para mobilizar apoiadores de Lula na reta final da campanha.
A ferramenta cresceu rapidamente e chegou a reunir cerca de 3,3 milhões de seguidores, com orientações para que participantes compartilhassem conteúdos, ampliassem o número de integrantes e atuassem de forma coordenada nas redes sociais.
A campanha de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral e pediu a suspensão do canal, sob a acusação de que a estrutura estava sendo usada para disseminar informações falsas e coordenar a amplificação de publicações.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, acolheu o pedido e mandou retirar o canal do ar, afirmando que ele vinha difundindo conteúdos que a Corte já havia considerado sem sustentação mínima e que havia orientações destinadas a contornar salvaguardas do WhatsApp.
Horas depois, porém, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão e restabeleceu o canal, por considerar insuficientes as provas disponíveis para mantê-lo suspenso.
Nunes Marques, então, acionou a área técnica do TSE para analisar a circulação dos conteúdos, eventual atuação coordenada e riscos ao processo eleitoral.
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