Flávio acusa diretor-geral da PF de favorecer o PT e pede investigação
Representação questiona anúncio de apuração sobre possível interferência estrangeira nas eleições, feito por Andrei Rodrigues no 1º turno
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, apresentou neste domingo, 11, ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), uma notícia-crime contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acusando-o de favorecer o PT ao anunciar, no dia do primeiro turno, uma apuração sobre possível interferência estrangeira nas eleições.
A contestação se refere à entrevista coletiva concedida por Rodrigues em 4 de outubro. Na ocasião, ele informou que a PF havia recebido uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU) e iniciado uma apuração preliminar sobre possível interferência externa.
O diretor-geral afirmou que ainda não havia sido aberto um inquérito formal.
“Recebemos representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, disse Andrei Rodrigues naquela data.
A apuração foi arquivada em 7 de outubro, três dias após o anúncio.
Para os advogados de Flávio, a divulgação no dia da votação deu repercussão institucional a uma suspeita sem provas e prejudicou a candidatura do senador.
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Acusação
“A cronologia é eloquente. Em 1 de outubro a Advocacia-Geral da União levou à Polícia Federal uma notícia-crime sem crime, sem autor e sem fato, prontamente difundida na imprensa”, afirma a representação de Flávio.
Em outro trecho, a defesa diz:
“Se não havia o que apurar, restava apenas o que divulgar. E a divulgação, no dia do primeiro turno, só aproveitava a um partido: o Partido dos Trabalhadores”.
Os advogados classificam o episódio como um “triste quadro de manipulação da vontade popular” e citam os artigos 346 e 377 do Código Eleitoral. Este último proíbe o uso de serviços e instalações de repartições públicas para beneficiar partidos ou organizações políticas. A regra prevê detenção de até seis meses e multa para quem a descumpre.
A defesa pede que o Ministério Público Eleitoral conduza a apuração ou supervisione o procedimento.
Também solicita documentos da AGU, da PF e da Procuradoria-Geral da República, a gravação integral da coletiva e o interrogatório de Rodrigues.
A representação também questiona a origem da apuração. Em 30 de setembro, o jornal britânico The Guardian publicou uma reportagem sobre a discussão, pelo governo dos Estados Unidos, de um possível repasse de US$ 1 milhão a um programa chamado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”.
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