Árvore frutífera levada do Brasil em 1825 virou espécie invasora no Havaí e agora é combatida com drones e insetos
Uma espécie levada para longe de sua origem acabou alterando o equilíbrio da vegetação local
Uma árvore de frutos pequenos e folhas brilhantes foi levada do Brasil ao Havaí há cerca de dois séculos e acabou ocupando grandes áreas de floresta. O araçá Psidium cattleianum, introduzido em 1825, tornou-se uma espécie invasora capaz de prejudicar a vegetação nativa. Agora, pesquisadores utilizam drones e insetos brasileiros para alcançar árvores em locais de difícil acesso e tentar reduzir sua expansão.
Como uma árvore brasileira chegou ao Havaí em 1825?
O araçá, conhecido em inglês como strawberry guava, chegou ao arquipélago do Havaí no século XIX. A planta possui frutos comestíveis e também era cultivada por sua aparência ornamental.
O Departamento de Agricultura e Biossegurança do Havaí confirma a introdução em 1825 e registra os danos que a espécie passou a provocar nas florestas.
Com o passar do tempo, a árvore se espalhou além das áreas de cultivo. Sua capacidade de germinar, crescer e formar grupos densos ajudou a ocupar terrenos onde antes predominavam plantas nativas.

Por que o araçá se tornou uma espécie invasora?
O araçá se tornou invasor porque consegue se espalhar e competir com a vegetação natural das ilhas. Em áreas favoráveis, suas árvores crescem próximas umas das outras e formam uma cobertura que dificulta o desenvolvimento de outras plantas.
O problema também atinge a estrutura do solo e o funcionamento das florestas. A substituição de espécies nativas modifica as condições de sombra, umidade e disponibilidade de água para outras formas de vida.
Seus frutos podem ser consumidos por animais, que ajudam a transportar sementes para outros pontos da floresta. Esse mecanismo de dispersão favorece a chegada do araçá a regiões distantes das árvores originais.
Como os drones ajudam a combater a árvore invasora?
Os pesquisadores utilizam drones para transportar pequenas unidades contendo um inseto capaz de prejudicar o crescimento do araçá. O equipamento voa até as copas e deposita essas unidades nos locais escolhidos.
O estudo publicado no Journal of Economic Entomology comparou esse sistema com um método manual de aplicação usando uma haste comprida.
No experimento realizado na Reserva Florestal Ola’a, os pesquisadores trataram 129 árvores. O drone apresentou uma vantagem no tempo necessário para realizar cada aplicação.
Os principais resultados foram:
- Aplicação por drone: tempo médio de 2,8 minutos por árvore.
- Aplicação manual: tempo médio de 12 minutos por árvore.
- Redução do tempo: aproximadamente 77% por tratamento.
- Estabelecimento do inseto: detectado em 63% das árvores monitoradas após tratamento aéreo, contra 38% no grupo manual, depois de um ano.
Embora a aplicação manual tenha conseguido posicionar as unidades com maior frequência, o drone foi mais rápido e apresentou melhor resultado de estabelecimento do inseto no acompanhamento posterior.
Qual inseto brasileiro é usado contra o araçá?
O inseto utilizado chama-se Tectococcus ovatus e também é originário do Brasil. Ele se alimenta da planta e provoca pequenas alterações nas folhas, chamadas galhas.
Essas galhas são estruturas que se formam quando o tecido vegetal reage à presença do inseto. A infestação pode reduzir o vigor da planta e ajudar a limitar seu crescimento e sua capacidade de expansão.
O controle é chamado de biológico porque utiliza outro organismo vivo para combater uma espécie considerada prejudicial. Antes de sua autorização, o inseto passou por avaliações destinadas a reduzir o risco de danos a plantas que não são o alvo.
Pesquisas sobre a expansão das plantas também mostram como sementes alcançam novos ambientes. Um exemplo é o transporte de sementes pelo corpo dos animais, outro mecanismo de dispersão vegetal.
Os drones podem eliminar todas as árvores invasoras do Havaí?
O estudo não demonstra que os drones conseguirão eliminar toda a população de araçás do Havaí. Seu resultado principal foi mostrar que a aplicação aérea pode acelerar a distribuição do agente de controle biológico.
Os pesquisadores também compararam possibilidades de uso em áreas maiores. Para operações em grande escala, os helicópteros ainda apresentaram vantagens econômicas dentro das condições analisadas no estudo.
O próximo desafio é ampliar o controle para regiões de floresta densa e acompanhar sua eficácia ao longo dos anos. O objetivo é reduzir os danos causados pela espécie invasora e favorecer a recuperação das plantas nativas, processo que depende de monitoramento contínuo.
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