Megaobra de R$ 12,9 bilhões instalou duas máquinas gigantes no interior do Paraná para produzir até 910 mil toneladas de papel por ano
A nova estrutura amplia de forma importante a capacidade industrial instalada na região
Duas máquinas industriais transformam fibras de madeira em enormes bobinas de papel dentro de um complexo no interior do Paraná. A Klabin investiu R$ 12,9 bilhões no Projeto Puma II, em Ortigueira, para instalar equipamentos com capacidade conjunta de até 910 mil toneladas de papel por ano. As duas linhas já estão em operação, fabricando materiais que chegam ao consumidor na forma de caixas de papelão, embalagens de alimentos e outros produtos.
Onde fica o Projeto Puma II e quando a Klabin concluiu a megaobra?
O Projeto Puma II foi construído na Unidade Puma, em Ortigueira, nos Campos Gerais do Paraná. A expansão começou em 2019 e foi inaugurada oficialmente em 21 de setembro de 2023, conforme o comunicado de inauguração da Klabin.
A empresa dividiu a construção em duas fases para ampliar a produção de papéis usados em embalagens. Segundo a companhia, o projeto representou seu maior investimento até então e o maior aporte privado já realizado no estado do Paraná.
O complexo aproveita a estrutura da fábrica de celulose já existente em Ortigueira. Essa integração permite que parte das fibras produzidas na unidade seja encaminhada diretamente para a fabricação de papel.

Quais são as duas máquinas gigantes instaladas no Puma II?
As máquinas são chamadas de MP27 e MP28 e fabricam diferentes tipos de papel para embalagens. A página oficial do Projeto Puma II apresenta a capacidade instalada de cada equipamento e suas funções dentro da fábrica.
A primeira linha começou a funcionar em agosto de 2021. A segunda entrou em operação em junho de 2023, completando a expansão industrial. As diferenças entre elas aparecem nos produtos fabricados:
As capacidades representam o volume que os equipamentos foram projetados para produzir. O total instalado não significa que a fábrica produza essa quantidade todos os anos, pois a produção real depende do ritmo das máquinas e dos produtos escolhidos.
Como as máquinas do Puma II transformam celulose em papel?
As linhas do Puma II transformam fibras de celulose em folhas contínuas de papel, usando água, pressão, calor e equipamentos de controle. A Valmet, fornecedora de tecnologia da MP28, detalhou em maio de 2026 como a preparação das fibras permite fabricar papéis com diferentes propriedades.
O processo industrial segue uma sequência que transforma a polpa de celulose em grandes bobinas:
- Preparação das fibras: a celulose é misturada com água e tratada para alcançar as características do papel.
- Formação da folha: a mistura passa por equipamentos que espalham as fibras de maneira uniforme.
- Retirada da água: prensas e sistemas de secagem reduzem a umidade do material.
- Acabamento: o papel recebe os tratamentos necessários e pode ser enrolado em grandes bobinas para transporte.
Essa integração entre celulose e papel diferencia o Puma II de empreendimentos voltados principalmente à fabricação da matéria-prima. É o caso da megafábrica de celulose da Arauco em construção no Mato Grosso do Sul, planejada para produzir fibras em grande escala.

Qual é o tamanho da MP28 e que impacto a construção teve no Paraná?
A MP28 possui 300 metros de extensão, conforme o comunicado da Klabin sobre a partida da máquina. Esse comprimento equivale a três campos de futebol hipotéticos de 100 metros colocados em sequência.
O equipamento reúne sistemas automatizados de preparação, formação e secagem do papel. A linha permite fabricar materiais usados em caixas de leite, embalagens de cerveja, caixas de alimentos industrializados, copos e bandejas.
A construção do complexo também movimentou a economia dos Campos Gerais. Segundo a Klabin, as duas fases das obras geraram mais de 33 mil empregos diretos e indiretos, além de envolver trabalhadores e empresas de municípios como Ortigueira e Telêmaco Borba.
Como a Klabin transporta a produção de papel até o Porto de Paranaguá?
A produção de Ortigueira utiliza uma estrutura de transporte que liga a fábrica ao Porto de Paranaguá, no litoral paranaense. Um terminal instalado ao lado do complexo permite transferir a carga para trens que seguem até a área portuária.
Segundo informações divulgadas pela Klabin sobre o terminal ferroviário de Ortigueira, foram aplicados mais de R$ 300 milhões nessa estrutura, projetada para transportar até 125 mil toneladas de papel e celulose por mês em contêineres.
Os produtos seguem por ferrovia até Paranaguá, onde os contêineres são movimentados para embarque nos navios. O sistema permite transportar grandes volumes sem depender exclusivamente de viagens rodoviárias entre a fábrica e o porto.
Como está a produção das máquinas do Puma II em 2026?
As duas máquinas já estão em operação, mas a Klabin continua ajustando a produção conforme a demanda por diferentes tipos de papel. No Relatório de Sustentabilidade 2025 da Klabin, a companhia informou que direcionou parte da MP28 para a produção de kraftliner após uma redução no consumo de papel-cartão.
A MP28 também avançou na fabricação de cartões para embalagens de leite e sucos. Já a MP27 apresentou melhora de produtividade e disponibilidade, operando acima da velocidade prevista em seu projeto, segundo o mesmo relatório.
Para 2026, a Klabin indicou a expectativa de ampliar o uso da MP28 na produção de papel-cartão e buscar mais oportunidades para o cartão branco. O resultado dependerá da procura por esses produtos e da evolução operacional da máquina.
O Puma II passou da fase de construção para a fase de aperfeiçoamento industrial. O desafio da unidade de Ortigueira agora é aproveitar a capacidade instalada, ajustar o tipo de papel produzido e manter o fornecimento de embalagens para os mercados atendidos pela Klabin.
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