Flávio terá agenda com Nunes, Tarcísio e prefeitos de SP
Prefeito tem atuado na mobilização de lideranças políticas em São Paulo e busca estreitar laços com o grupo bolsonarista
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), intensificou a articulação política com Flávio Bolsonaro (PL) durante o segundo turno da eleição presidencial. O emedebista tem organizado encontros entre o senador e lideranças políticas paulistas, em uma aproximação que também pode contribuir para seus planos eleitorais em São Paulo em 2030.
No próximo domingo, 11, está previsto de Flávio com Nunes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e prefeitos da região metropolitana. Na sequência, o senador participará de uma nova reunião com vereadores da base do prefeito na capital paulista.
A agenda dá continuidade à mobilização promovida por Nunes em torno da candidatura presidencial de Flávio. Ainda na pré-campanha, o prefeito organizou um encontro entre o senador e vereadores aliados. No primeiro turno, também convidou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para visitar um mercado popular da prefeitura, na zona leste da capital.
Tarcísio, que até então mantinha distância das agendas de Flávio, não participou daquela visita.
A aproximação com a família Bolsonaro ocorre enquanto Nunes busca ampliar seu espaço entre as lideranças da direita. O prefeito pretende disputar o governo de São Paulo em 2030, embora ainda não tenha anunciado formalmente uma candidatura.
O apoio do grupo bolsonarista é um dos fatores que podem influenciar a definição do nome da direita para a sucessão estadual. Por isso, a relação com Flávio e com as lideranças ligadas ao ex-presidente ganhou espaço na agenda política do prefeito.
Nos últimos meses, Nunes também passou a adotar um discurso mais enfático contra o PT e o presidente Lula. Em compromissos públicos, o prefeito tem defendido pautas associadas à direita, sobretudo na área de segurança pública.
Entre as iniciativas que pretende apresentar como vitrine de sua gestão está o Smart Sampa, sistema de monitoramento da cidade que poderá integrar o discurso de uma eventual campanha estadual.
Nunes elogiado publicamente
Em julho, durante a convenção da Federação União-PP em São Paulo, Flávio elogiou o prefeito e afirmou que ele conquistou a confiança de setores mais identificados com o bolsonarismo.
“Meu amigo prefeito Ricardo Nunes, cara extraordinário. Alguém que a nossa militância mais raiz aprendeu a respeitar, admirar e vai ajudar, porque a gente tem um futuro brilhante aqui em São Paulo, e um papel muito importante para todo o nosso Brasil”, declarou o senador.
A aproximação representa uma mudança no relacionamento entre Nunes e a família Bolsonaro. Durante a eleição municipal de 2024, quando o prefeito buscava a reeleição, Jair Bolsonaro teve participação limitada na campanha e também se aproximou de Pablo Marçal, então candidato à Prefeitura pelo PRTB.
Bolsonaro indicou o vice-prefeito Coronel Mello Araújo (PL), mas o governador Tarcísio de Freitas foi um dos principais apoiadores da reeleição de Nunes.
Na reta final daquela disputa, Bolsonaro participou de uma agenda com o prefeito. Os dois almoçaram com lideranças políticas em uma churrascaria no Morumbi, na zona sul da capital, e depois foram a um culto na Igreja Sara Nossa Terra, na região da Saúde, acompanhados de Tarcísio.
Naquele período, uma pesquisa Datafolha indicou que parte do eleitorado bolsonarista preferia Marçal a Nunes. Entre esses eleitores, o prefeito era visto como um nome de centro.
Flávio superou votação do pai na capital
No primeiro turno da eleição presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro recebeu 42,13% dos votos na cidade de São Paulo, enquanto Lula obteve 46,58%.
Apesar de ter ficado atrás do presidente na capital, o senador registrou percentual superior ao alcançado pelo pai em 2022. Naquele pleito, Jair Bolsonaro recebeu 38% dos votos no município, ante 47,5% de Lula.
Com a campanha presidencial na segunda etapa, Nunes mantém a articulação com vereadores e prefeitos paulistas para ampliar a mobilização em torno de Flávio. Ao mesmo tempo, o prefeito estreita relações com o grupo bolsonarista, uma aliança que poderá ter reflexos nas negociações políticas para a eleição estadual de 2030.
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