O ponto que Rondon calculou como o centro da América do Sul fica numa praça desta capital, que está entre as 10 melhores do país para viver
Uma praça guarda uma curiosidade geográfica ligada ao continente
Antes dos satélites, descobrir o meio de um continente exigia cálculos astronômicos, mapas e muita paciência. Foi assim que a comissão do marechal Cândido Rondon fixou, em 1909, um marco no centro de Cuiabá, em Mato Grosso, cidade que, mais de um século depois, também chama atenção pelos indicadores de qualidade de vida entre as capitais brasileiras.
Onde fica o marco do centro da América do Sul?
O marco está na Praça Pascoal Moreira Cabral, em frente ao prédio da Câmara Municipal, que por décadas abrigou a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Segundo a Prefeitura de Cuiabá, a estrutura original foi erguida em alvenaria pelos membros da Comissão Rondon e tombada como patrimônio histórico e cultural em 2009 pela Secretaria Estadual de Cultura, no ano em que completou um século.
Sobre a peça de 1909 foi construído um obelisco de cerca de 20 metros, revestido de mármore branco, e o marco original continua visível sob proteção de vidro. A praça se chamava Campo d’Ourique e servia de palco para touradas antes de virar cartão-postal. O título nunca foi unânime: um mirante na serra da Chapada dos Guimarães também leva o nome de Centro Geodésico, mas é o obelisco do centro histórico que aparece na bandeira cuiabana.
O marco é só a porta de entrada para uma capital que soma história, natureza e bons resultados sociais:
Como Cuiabá entrou no top 10 das capitais em qualidade de vida?
A cidade somou 67,22 pontos no Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026 e ficou na 10ª posição entre as capitais, de acordo com a Prefeitura de Cuiabá. O resultado supera a média nacional de 63,40 e reflete o desempenho em necessidades básicas e nos chamados fundamentos do bem-estar, que reúnem saúde, acesso à informação e qualidade ambiental.
A nota deixa a capital mato-grossense à frente de centros bem maiores. No ranking das capitais publicado pelo IPS Brasil, o Rio de Janeiro aparece com 67,00, Porto Alegre com 66,94 e Salvador com 62,18. O índice usa 57 indicadores sociais e ambientais e mede resultados na vida da população, sem considerar o tamanho da economia.

Uma cidade do ouro que preserva casarões e a viola de cocho
Cuiabá nasceu em 1719, no rastro do ouro encontrado por bandeirantes paulistas na região, e ainda guarda o traçado da vila colonial. O centro histórico é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico, com tombamento provisório iniciado em 1987.
A herança também está na música. O modo de fazer a viola de cocho, instrumento escavado em uma tora inteira de madeira, como os cochos usados para alimentar o gado, foi registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil. É ela que marca o ritmo do cururu e do siriri, enquanto a cozinha ribeirinha leva à mesa pratos como a ventrecha de pacu e a mojica de pintado.

O que fazer na capital mato-grossense além do marco?
A cidade funciona como base para dois dos cenários mais procurados do Centro-Oeste. A maior parte do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, com paredões de arenito e a cachoeira Véu de Noiva, fica dentro do próprio município, e as estradas rumo ao Pantanal partem da região metropolitana.
Dentro da área urbana, o roteiro mistura parques, museus e um centro histórico de ruas estreitas e casarões coloniais. A vizinha Várzea Grande, onde fica o Aeroporto Marechal Rondon, completa a mancha urbana e facilita a chegada de quem vem de longe.
Passeios entre parques, museus e o centro histórico
Para quem tem um ou dois dias na cidade, alguns endereços mostram bem o jeito cuiabano de viver:
- Parque Mãe Bonifácia: área verde com trilhas, espaço para exercícios e mirante sobre o centro; o nome homenageia uma mulher escravizada lembrada como curandeira.
- Museu do Morro da Caixa D’Água Velha: antiga caixa d’água vizinha à praça do marco, revitalizada e transformada em museu com entrada gratuita.
- Sesc Arsenal: centro cultural instalado em prédio histórico do século XIX, com programação cultural ao longo do ano.
- Museu do Rio: dedicado à história do rio Cuiabá e da vida ribeirinha que moldou a capital.
- Praça da Mandioca: endereço boêmio do centro histórico, com bares, casarões coloniais e música ao vivo à noite.
Quem planeja viajar para o Mato Grosso, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viajando e Passeando, que conta com mais de 71 mil visualizações, onde Diego mostra os melhores passeios em Cuiabá:
Como é o clima de Cuiabá ao longo do ano?
Cuiabá tem calor o ano inteiro e duas fases bem marcadas: chuvas fortes de novembro a março e um inverno muito seco. No auge da estiagem de 2023, a capital passou 46 dias seguidos sem chuva, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Cuiabá em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo, calculada a partir de dados de reanálise. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo para Cuiabá.
O meio do continente também é lugar de morar
O obelisco da praça lembra que Cuiabá ocupa um ponto simbólico do mapa, mas a cidade não vive só do título. Três séculos depois da corrida do ouro, ela reúne patrimônio preservado, cultura própria e resultados sociais que superam os de capitais muito mais famosas.
Você precisa conhecer Cuiabá, tocar o marco de Rondon no fim da tarde e entender por que tanta gente escolhe morar bem no meio da América do Sul.
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