Ana Elisa cita Janones e “Exército do Lula” alvo de ação no TSE
Deputada federal eleita pelo PT de Minas Gerais afirmou que canal de WhatsApp concentra orientações para apoiadores de Lula no segundo turno
A campanha do presidente Lula (PT) tem usado canais de WhatsApp para orientar apoiadores e organizar a atuação no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), segundo a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). Em coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira, 8, ela citou a mobilização liderada pelo deputado André Janones (Rede-MG) nas redes sociais.
Segundo Ana Elisa, o canal criado por Janones no WhatsApp, chamado de “Exército do Lula”, funciona como espaço de articulação da militância e concentra orientações sobre a atuação dos apoiadores. A estrutura passou de cerca de 50 mil integrantes para mais de 2 milhões em poucos dias e tem como objetivo chegar a 3 milhões.
“Nós temos aí um aliado muito forte, que é o André Janones, que está articulando dentro do WhatsApp um quase que grupo, um canal no WhatsApp que já tem mais de 1 milhão de pessoas. Então, as orientações estão sendo passadas por esses canais”, afirmou.
A mobilização, porém, ocorre em meio a questionamentos sobre o funcionamento dos grupos e o conteúdo que será distribuído pela rede. Carlos Viana (PSD-MG) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o “Exército do Lula” e pediu a apuração sobre o funcionamento do canal, inclusive para verificar eventual contratação de pessoas para produção, administração ou distribuição de conteúdo. O senador também solicitou que seja analisado se a estrutura ultrapassa os limites da manifestação política.
O pedido não afirma que já exista irregularidade comprovada. A representação ocorre, no entanto, em meio ao histórico de decisões da Justiça Eleitoral envolvendo Janones. Em 2022, o TSE determinou a retirada de publicações do deputado consideradas falsas sobre Jair Bolsonaro (PL) e fixou multa de 100 mil reais por dia em caso de descumprimento. Em junho deste ano, o ministro André Mendonça também determinou a remoção de uma publicação de Janones com acusações criminais contra Flávio Bolsonaro sem elementos apresentados para sustentá-las.
Além disso, O Antagonista mostrou que grupos ligados à mobilização petista no WhatsApp compartilham vídeos e cards para serem replicados pelos integrantes. Em um dos grupos aos quais a reportagem teve acesso, havia uma pasta intitulada “Vídeos contra Bolsonaro”.
O histórico de Janones nas redes também foi questionado em episódios anteriores. Em junho, durante evento do PT voltado à mobilização de militantes, o deputado relatou estratégias utilizadas por ele na eleição de 2022 para mudar o foco das discussões nas redes sociais.
Apesar das controvérsias, Ana Elisa defendeu a estratégia de mobilização digital e afirmou que o objetivo é alcançar principalmente eleitores que votaram em candidatos da chamada terceira via.
“Eu acho que um dever quase moral nosso, todos estamos entendendo que, nesse momento, o mais importante é nós virarmos os votos da terceira via, explicarmos para as pessoas que votaram na terceira via o que significa ter Flávio Bolsonaro, presidente da República”, declarou.
A deputada afirmou ainda que o crescimento do canal demonstra o nível de engajamento dos apoiadores.
“A prova disso é que em 24 horas o Janones encheu um grupo com mais de 1 milhão de pessoas. Acredito que hoje já deva estar com 2 milhões ou mais que isso. Então, pessoas muito engajadas, pessoas que querem ajudar”, disse.
Ana Elisa também afirmou que a comunicação digital passou a ocupar espaço central na estratégia petista para o segundo turno. Segundo ela, a campanha de Lula tem recebido sugestões de parlamentares e integrantes da militância para ampliar a presença do presidente nas redes sociais e aproximá-lo dos eleitores.
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