Uma faixa de 1,5 km nas montanhas reúne cerca de 5.200 buracos alinhados, e pesquisadores encontraram pistas sobre a função dessa estrutura antiga
O padrão se estende pela paisagem e chama atenção pela quantidade de cavidades
Vista de cima, a encosta parece ter sido perfurada milhares de vezes seguindo um plano. Monte Sierpe, no sul do Peru, reúne aproximadamente 5.200 cavidades distribuídas ao longo de 1,5 km. O local intriga arqueólogos há décadas, mas análises recentes de sedimentos e imagens aéreas encontraram padrões que reforçam uma hipótese ligada à troca de mercadorias e à contabilidade indígena.
Como estão organizados os milhares de buracos?
As cavidades não foram abertas de maneira aleatória. Elas aparecem agrupadas em blocos, com diferenças na quantidade de buracos e na forma como cada trecho foi construído.
O estudo publicado na revista Antiquity identificou pelo menos 60 seções e padrões numéricos em alguns conjuntos.

Que pistas apareceram dentro das cavidades?
Os pesquisadores analisaram sedimentos retirados de diferentes buracos. Neles apareceram pólen, fitólitos, grãos de amido e sinais de plantas que poderiam estar ligados a alimentos ou materiais usados para carregar produtos.
A University of Sydney resume os principais dados da investigação:
O que os restos de plantas indicam?
Os vestígios sugerem que produtos chegaram fisicamente às cavidades em algum momento. Entre os materiais identificados estão sinais de milho e plantas ligadas à produção de cestos e embalagens.
A University of South Florida participou das análises microbotânicas feitas em parte dessas amostras.
- Milho: grãos de amido e outros vestígios apontam presença do cultivo.
- Plantas silvestres: algumas poderiam ter sido usadas em cestos e embrulhos.
- Sedimentos: guardaram pistas invisíveis a olho nu.
- Organização espacial: mostra que os buracos foram distribuídos segundo padrões.
Monte Sierpe era um mercado ou uma ferramenta de contagem?
As duas funções podem ter ocorrido em momentos diferentes, mas continuam sendo interpretações científicas. Os autores propõem que grupos pré-incas podem ter usado o local para troca e armazenamento temporário, enquanto o período inca teria acrescentado uma função de contabilidade.
O padrão de alguns grupos lembra a lógica de khipus, cordões com nós usados pelos incas para registrar informações. A semelhança apoia a hipótese, mas não prova sozinha a função do monumento.
Por que a função ainda não pode ser tratada como certeza?
Não existe um texto antigo explicando diretamente para que Monte Sierpe foi construído. A interpretação depende da combinação entre posição geográfica, restos vegetais, padrões numéricos e comparação com práticas conhecidas dos povos andinos.
O novo estudo reduziu o espaço para hipóteses puramente especulativas, mas não encerrou a discussão.
Os milhares de buracos permanecem no mesmo lugar; o que mudou foi a quantidade de pistas disponíveis para explicar por que foram feitos.
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