Candidato de Lula e do grupo de Dino deve ficar fora do segundo turno no MA
Polarização entre os grupos de Felipe Camarão (PT) e de Carlos Brandão (MDB) abre espaço para ‘terceira via’ local
A eleição para o governo do Maranhão transformou-se em uma disputa de três forças, na qual a divisão do grupo político que dominou o estado na última década abriu espaço para o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), apontado como uma espécie de terceira via local.
Ele aparece à frente nas pesquisas, enquanto Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão, ocupa a segunda posição e Felipe Camarão (PT), vice-governador e aliado de Flávio Dino, aparece em terceiro. O resultado é uma eleição que rompe, ao menos por enquanto, com a lógica da polarização nacional entre lulistas e bolsonaristas.
Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro, Braide tinha 46% das intenções de voto, contra 27% de Orleans e 10% de Camarão e com chances de liquidar a fatura já no primeiro turno.
Braide lançou sua candidatura com o aval e total suporte da executiva nacional do PSD. A sigla acredita que o ex-prefeito pode ocupar um vácuo de poder deixado pela disputa entre os grupos de Camarão e Brandão.
De vice amigo a adversário do grupo de Flávio Dino
Carlos Brandão foi vice-governador nos dois mandatos de Flávio Dino e assumiu o governo em 2022, quando Dino deixou o cargo para disputar o Senado.
A relação entre os dois, porém, deteriorou-se depois que Brandão passou a construir uma estrutura política própria. Dino foi acusado pelo grupo de Brandão de usar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para atingir o antigo aliado. O ministro, inclusive, é relator de um inquérito que pode resultar, inclusive, na prisão do chefe de Poder Executivo maranhense.
Dino também é padrinho político de Camarão. O candidato foi secretário em quatro pastas durante os dois governos do ex-governador e construiu sua carreira política sob a tutela do atual ministro do STF. Em setembro, chegou a dizer que o Brasil “merece ter Dino presidente” depois da passagem do ex-governador pelo Supremo.
Orleans, por sua vez, encarna a continuidade de Brandão. O candidato foi secretário estadual de Assuntos Municipalistas e conta com o apoio da estrutura política montada pelo governador, além de prefeitos, deputados e partidos aliados.
Essa é a sua primeira disputa política. Tanto que adversários passaram a apelidá-lo de “Bebezão”, em virtude da sua pouca experiência.
E na disputa entre os dois grupos, Braide ganhou vantagem. O ex-prefeito de São Luís consegue disputar simultaneamente eleitores que não necessariamente se identificam com nenhum dos dois grupos em conflito. Seu problema maior é conquistar votos no interior, já que ele deixou o cargo de prefeito com uma alta aprovação na capital maranhense.
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