Vorcaro e esquema do INSS viram armas na guerra entre petistas e bolsonaristas
Esquema do Banco Master e de roubo de aposentadorias viraram munição para desgastes de rivais na campanha
Sem propostas entre os principais candidatos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a campanha presidencial de 2026 foi marcada também por uma troca de acusações de petistas e bolsonaristas para saber quem tinha maior envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ou com o esquema de descontos de aposentadorias e pensões do INSS.
O movimento colocou Lula e Flávio diante de problemas de natureza diferente. De um lado, o candidato bolsonarista passou a ser cobrado por sua relação pessoal e financeira com Vorcaro, depois que mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostraram que ele negociava com o banqueiro recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. De outro, Lula passou a ser pressionado pelas suspeitas envolvendo pessoas de seu entorno no caso dos descontos fraudulentos, especialmente seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado em investigações e no relatório rejeitado da CPI do INSS.
Para Flávio, a dificuldade surgiu quando mensagens obtidas pela PF revelaram que Flávio cobrou repasses e tratou diretamente com Vorcaro sobre o financiamento do filme. O valor acertado para o projeto era de cerca de 134 milhões de reais, dos quais 61 milhões de reais chegaram a ser pagos. Nas mensagens, Flávio chegou a chamar Vorcaro de “irmão” e declarou que estaria com ele “sempre”.
Novas investigações: inclusive sobre a mansão de R$ 6 milhões
Depois, vieram mensagens afirmando que Flávio visitou Vorcaro dias após ele ter sido solto pela Polícia Federal e nesta semana o órgão instaurou inquérito para apurar o financiamento/pagamento da mansão de 6 milhões de reais adquirida pelo parlamentar. A suspeita da PF é que Flávio teve alguma ajuda de Vorcaro para quitar o imóvel.
Do lado petista, o presidente Lula foi obrigado a se explicar sobre os descontos associativos não autorizados, que geraram um rombo de aproximadamente 6,3 bilhões de reais entre 2019 e 2024.
Apesar de ter afirmado que o esquema somente foi descoberto porque o governo petista deu autonomia para a PF, as investigações mostram que o esquema pode ter chegado à antessala do Palácio do Planalto.
Lulinha e Roberta Luchsinger: os gargalos do petista
A PF abriu três inquéritos, sob supervisão do STF, a partir de elementos encontrados na Operação Sem Desconto. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência e apontam que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, teria atuado em defesa de interesses privados junto a órgãos federais. A PF chegou a apontar Lulinha como possível beneficiário indireto das articulações.
Roberta Luchsinger aparece como personagem central nas apurações. Segundo a PF, ela teria buscado viabilizar negócios junto ao Ministério da Saúde e à Dataprev, mantendo contatos com integrantes do governo e articulando reuniões. Mensagens apreendidas indicam ainda que ela teria pago cerca de 217 mil reais em despesas de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Crusoé: Itamaraty ajudou Lulinha em Madri, diz site
Entre os gastos estavam faturas de cartão, parcelas de veículo e outras despesas pessoais. A defesa de Marcola afirma que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal, integralmente quitado, e nega que ele tenha intermediado negociações ou encaminhado documentos relativos a compras ou licitações. A PF também investiga pagamentos feitos por Roberta a servidores do Ministério do Desenvolvimento Social.
O próprio Lula afirmou acreditar na inocência do filho e do ex-assessor, mas disse defender que ambos sejam investigados. O presidente também negou conhecer pessoalmente Roberta Luchsinger e classificou como falsas as alegações de que teria participado das articulações atribuídas a ela e chegou a chamar a amiga de Lulinha de “pilantra” em entrevista ao Jornal Nacional.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)