Cataratas de Sangue da Antártida guardam descendentes de antigas criaturas marinhas, segundo novo estudo
O ambiente isolado preserva pistas de formas de vida ligadas a um passado muito antigo
A água vermelha que escorre pelo Glaciar Taylor, na Antártida, já era conhecida por sua salmoura rica em ferro. Agora, um estudo publicado em 2026 encontrou outra particularidade: perto das Cataratas de Sangue vive uma comunidade microscópica ativa com uma forte assinatura de antigos ambientes marinhos.
O que os cientistas encontraram nas Cataratas de Sangue?
Os pesquisadores identificaram microeucariotos ligados a ambientes marinhos no gelo avermelhado, na lama e nos sedimentos próximos à saída da salmoura. Microeucariotos são organismos microscópicos cujas células possuem núcleo.
O estudo publicado na Nature Geoscience encontrou grupos como diatomáceas, haptófitas, dinoflagelados e ciliados. Parte dessas linhagens mostra diferenças genéticas compatíveis com um longo período de isolamento.

Por que a água das Cataratas de Sangue fica vermelha?
A cor continua tendo uma explicação química. Uma salmoura extremamente salgada e rica em ferro emerge debaixo da geleira e entra em contato com as condições da superfície.
O ferro participa de reações que formam materiais avermelhados sobre o gelo. O novo estudo não muda essa explicação. Ele mostra que a mesma água também está ligada a um ambiente capaz de sustentar uma comunidade biológica incomum.
Como os pesquisadores chegaram a essa conclusão?
A equipe comparou 167 amostras de água, gelo, sedimentos e material transportado pelo vento dos Vales Secos de McMurdo com amostras marinhas de referência.
A Scripps Institution of Oceanography explica que a assinatura oceânica ficou concentrada justamente nos materiais influenciados pela salmoura das Cataratas de Sangue.
- 167 amostras: diferentes ambientes foram comparados no estudo.
- DNA: ajudou a identificar quais linhagens estavam presentes.
- RNA: mostrou que parte da comunidade estava biologicamente ativa.
- Amostras marinhas: funcionaram como referência para medir a proximidade entre os grupos.
Como os cientistas sabem que esses organismos não chegaram apenas pelo vento?
O vento pode transportar microrganismos pela Antártida, mas os dados não combinam com uma explicação baseada apenas nesse processo. As amostras levadas pelo ar apresentaram muito menos sinal marinho do que a área diretamente influenciada pela salmoura.
Nas amostras de lama e sedimento avermelhado, os táxons marinhos chegaram a dominar a comunidade de diatomáceas. O estudo também encontrou variantes genéticas próprias da área do Glaciar Taylor.
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O que essa descoberta conta sobre o passado da Antártida?
As evidências reforçam a hipótese de que água do mar entrou no Vale Taylor durante períodos mais quentes e depois ficou isolada com o avanço do gelo. Linhagens associadas a esse antigo ambiente teriam persistido enquanto a paisagem mudava.
Os pesquisadores evitam dizer que cada organismo encontrado permaneceu vivo desde aquela época. O que os dados sustentam é a persistência de linhagens de origem marinha, que continuaram evoluindo dentro de um ambiente cada vez mais isolado e extremo.
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