Governo quer derrubar mais 10 mil bets após bloquear 78 mil sites
Fazenda afirma que novos endereços podem ser retirados do ar nas próximas horas; ofensiva também mira influenciadores e estruturas financeiras
Mais de 78 mil sites de apostas já foram retirados do ar pelo governo federal após a decisão do presidente Lula (PT) que endureceu as regras para o funcionamento das bets no Brasil. Agora, a equipe econômica prepara uma nova rodada de bloqueios e estima que outros 10 mil endereços possam ser derrubados nas próximas horas.
A ofensiva é coordenada pelos ministérios da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública. As duas pastas identificam as plataformas consideradas irregulares e encaminham os endereços para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pelo bloqueio dos sites.
A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta sexta-feira, 2, após reunião com o ministro da Justiça, Wellington Souza e Silva.
“É uma tarefa diária, de rotina de fiscalização e passa por várias etapas. Uma delas é derrubar os sites que oferecem o serviço ilícito das bets, todos eles. E a gente tem feito isso em ampla coordenação com vários laboratórios de inteligência que identificam esses sites e a gente documenta para a Anatel para derrubada”, afirmou.
Anatel recebe lista
O trabalho começa com o levantamento feito pelas equipes técnicas do governo. Os sites identificados são encaminhados à Anatel, que executa o bloqueio do acesso às páginas pelas redes de telecomunicações brasileiras.
Segundo Durigan, a fiscalização envolve diferentes órgãos e estruturas de inteligência para localizar plataformas que continuam oferecendo apostas consideradas ilegais.
A operação foi intensificada após a decisão assinada por Lula em 25 de setembro, que ampliou as restrições ao funcionamento das bets. Desde então, Fazenda e Justiça passaram a concentrar esforços na identificação de plataformas que continuam operando fora das regras estabelecidas pelo governo.
Influenciadores também entram na mira
A ofensiva não se limita aos sites. Segundo o governo, contas de influenciadores e grupos em plataformas como WhatsApp e Telegram que promovem ou incentivam apostas também estão sendo identificados e retirados do ar.
A estratégia inclui ainda o bloqueio da estrutura financeira utilizada pelas plataformas. O objetivo é identificar as empresas responsáveis pelos sites e as instituições utilizadas para processar os pagamentos.
“Uma vez identificado qual a empresa que gerou o site, qual a instituição financeira que abrigava o pagamento, essas contas estão sendo bloqueadas e esse recurso vai ser expropriado, uma vez feito o processo administrativo para destinação para a segurança pública”, disse Durigan.
Segundo o ministro, a operação terá ainda uma frente criminal, com a identificação dos responsáveis pelas plataformas e pelas estruturas utilizadas para mantê-las em funcionamento.
“Então, são várias as frentes que nós vamos seguir atuando, derrubando sites, identificando os responsáveis, seja do ponto de vista do ambiente digital, seja com a responsabilidade criminal que eles passam a ter”, afirmou.
Governo mira estrutura financeira
Além dos bloqueios digitais, a estratégia prevê o que Durigan chamou de “asfixia financeira” das empresas que mantêm plataformas consideradas ilegais. A intenção é interromper não apenas o acesso aos sites, mas também o fluxo de dinheiro utilizado para manter as operações.
O ministro comparou a estratégia à utilizada pelo governo para combater organizações criminosas que atuam no setor de combustíveis, com ações simultâneas sobre as estruturas digitais, financeiras e empresariais.
A expectativa da Fazenda é ampliar a fiscalização nos próximos dias. Segundo Durigan, o bloqueio de mais 10 mil endereços é uma questão de horas.
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