Uma faixa de luz aparece antes do amanhecer sem vir da atmosfera e poeira entre os planetas desenha um falso nascer do Sol
Imagem feita em Ladakh mostra Júpiter, Marte e M44 alinhados visualmente com o brilho produzido por poeira interplanetária
Antes que o crepúsculo começasse sobre Ladakh, na Índia, uma faixa difusa conhecida como luz zodiacal atravessou o céu escuro, envolvendo visualmente Júpiter, o aglomerado M44 e Marte. A fotografia, registrada em setembro de 2026 no Hanle Dark Sky Reserve, mostra um brilho que parece anunciar o amanhecer, embora sua origem esteja muito além da atmosfera terrestre.
Por que a luz zodiacal parece um amanhecer que chegou cedo?
A luz zodiacal surge quando a luz do Sol é espalhada por minúsculos grãos de poeira distribuídos pelo espaço interplanetário. Grande parte desse material se concentra próximo ao plano da eclíptica, região do céu pela qual também parecem se deslocar o Sol, a Lua e os planetas.
Antes do amanhecer, sob condições favoráveis, o fenômeno aparece no horizonte leste como um cone ou faixa esbranquiçada que se estreita ao subir pelo céu. Como surge enquanto o Sol ainda está muito abaixo do horizonte, recebeu historicamente o apelido de “falso amanhecer”.
O que apareceu na fotografia feita nas montanhas de Ladakh?
A imagem foi registrada pouco antes do início do crepúsculo astronômico durante uma observação no Hanle Dark Sky Reserve, região de Ladakh situada a aproximadamente 4.500 metros de altitude. Júpiter aparece próximo ao horizonte leste, mergulhado visualmente na faixa luminosa.
Seguindo a mesma faixa em direção ao alto do céu, aparecem o aglomerado aberto M44 e Marte, com tonalidade amarelada na fotografia. Meteoros também cruzaram a cena, embora não tenham relação física com a origem do brilho zodiacal.
- Júpiter aparece próximo ao horizonte;
- Marte está mais alto na faixa luminosa;
- M44 acompanha aproximadamente a mesma região;
- Meteoros cruzam partes da fotografia;
- O registro ocorreu antes do crepúsculo astronômico.
Este vídeo mostra especificamente como a luz zodiacal é formada e observada.
De onde vem a poeira responsável pela luz zodiacal?
Durante muito tempo, cometas e colisões entre asteroides foram considerados as principais fontes da poeira interplanetária responsável pelo fenômeno. Esses processos realmente produzem enormes quantidades de partículas capazes de permanecer temporariamente em órbita ao redor do Sol.
A origem completa da luz zodiacal, porém, ainda é estudada. Diferentes populações de poeira podem contribuir para a nuvem observada, e determinar quanto cada fonte fornece exige combinar observações astronômicas, medições de espaçonaves e modelos sobre a dinâmica das partículas.
Por que a missão Juno colocou Marte no centro dessa discussão?
Durante sua viagem até Júpiter, a espaçonave Juno registrou impactos inesperados de partículas de poeira. A distribuição desses eventos permitiu mapear parte da nuvem interplanetária e levou pesquisadores a propor uma concentração relacionada à órbita marciana.
A NASA explicou os resultados obtidos com a missão Juno em 2021. Os autores sugeriram que Marte, direta ou indiretamente, poderia contribuir significativamente para essa poeira. A hipótese é intrigante, mas não significa que toda a poeira zodiacal tenha origem comprovadamente marciana.
Por que Hanle permite enxergar a luz zodiacal tão claramente?
A luz zodiacal é relativamente fraca e desaparece facilmente sob iluminação urbana, luar intenso ou um horizonte atmosférico muito brilhante. Hanle combina grande altitude, baixa poluição luminosa e horizonte escuro, condições especialmente favoráveis para observar estruturas difusas no céu.
Em setembro, para observadores do Hemisfério Norte, a geometria da eclíptica antes do amanhecer também favorece a visualização. A faixa de poeira aparece mais inclinada em relação ao horizonte, reduzindo parte da interferência provocada pelas camadas mais densas da atmosfera.
Como distinguir esse brilho do verdadeiro crepúsculo?
O crepúsculo astronômico começa quando o Sol chega a aproximadamente 18 graus abaixo do horizonte e sua luz passa a iluminar progressivamente a atmosfera. O brilho então cresce de forma ampla junto ao horizonte à medida que o amanhecer se aproxima.
Já o falso amanhecer pode surgir antes disso como uma estrutura mais estreita orientada ao longo da eclíptica. A fotografia de Ladakh foi feita justamente antes do início do crepúsculo astronômico, permitindo separar visualmente o brilho produzido pela poeira interplanetária daquele criado pela atmosfera terrestre.
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