Condomínio instala armários para encomendas no hall e descobre que portas abertas reduzem a passagem usada por cadeirantes e carrinhos de bebê
Medição deve considerar portas abertas, áreas de manobra e alternativas de posição que mantenham a circulação livre
Armários para encomendas podem facilitar a rotina do condomínio, mas sua instalação não deve comprometer a circulação. A rota acessível precisa permanecer contínua, desobstruída e utilizável com segurança, inclusive quando portas, gavetas ou compartimentos estejam abertos. Por isso, medir apenas o corredor com os armários fechados pode esconder uma barreira criada pelo próprio mobiliário.
Por que a rota acessível deve considerar os armários em uso?
Em condomínios residenciais, as áreas comuns precisam respeitar requisitos de acessibilidade. Isso inclui os percursos que conectam entrada, elevadores, escadas, garagem e demais espaços compartilhados. Um hall que originalmente permitia circulação adequada pode perder essa condição quando recebe mobiliário avançando sobre a passagem.
O problema dos armários de encomendas aparece principalmente durante o uso. Se uma porta aberta ocupa parte significativa do corredor, uma pessoa em cadeira de rodas pode não conseguir passar, aproximar-se ou realizar uma manobra. Carrinhos de bebê e pessoas utilizando andadores também podem encontrar dificuldade semelhante.
Qual largura precisa permanecer livre no corredor?
A NBR 9050 dimensiona corredores conforme comprimento, utilização e fluxo. Para corredores de uso comum, há situações em que a largura mínima parte de 0,90 metro, aumenta para 1,20 metro e pode chegar a 1,50 metro conforme sua extensão. Corredores de uso público possuem parâmetros próprios.
Por isso, não é correto aplicar automaticamente um único número a qualquer hall. O condomínio precisa identificar qual trecho integra a rota, medir sua extensão e considerar obstáculos permanentes e temporários, inclusive a projeção das portas abertas dos armários.
- Medir a passagem com todas as portas fechadas;
- Repetir a medição com portas totalmente abertas;
- Conferir áreas de aproximação e manobra;
- Identificar elevadores e acessos conectados ao percurso;
- Verificar outros obstáculos, como vasos e bancos;
- Registrar as medidas antes de escolher nova posição.
Este vídeo explica especificamente o conceito e os requisitos de uma rota acessível.
Como medir corretamente a interferência das portas?
A medida relevante não é simplesmente a distância entre duas paredes. Deve-se observar a faixa efetivamente disponível para circulação quando o armário está sendo utilizado. Puxadores salientes, folhas abertas e pessoas paradas retirando encomendas também podem reduzir temporariamente a área disponível.
Em uma rota acessível, a avaliação deve considerar ainda se existe espaço para aproximação ao próprio armário sem bloquear completamente o trajeto. Um equipamento pode caber fisicamente no hall e, mesmo assim, estar mal posicionado porque suas condições reais de utilização conflitam com a circulação principal.
O que a legislação exige das áreas comuns do condomínio?
A Lei Brasileira de Inclusão determina que edificações privadas de uso coletivo observem as regras de acessibilidade aplicáveis. A legislação brasileira também remete às normas técnicas pertinentes quando estabelece parâmetros para projetos e intervenções.
Isso significa que uma melhoria funcional, como instalar armários de encomendas, não deve criar uma nova barreira arquitetônica. Além da NBR 9050, códigos de obras e regras locais podem estabelecer exigências adicionais, razão pela qual alterações permanentes merecem avaliação técnica adequada.

Onde os armários podem ser colocados sem bloquear a passagem?
Uma alternativa é deslocá-los para uma parede fora do eixo principal de circulação, desde que exista espaço suficiente para aproximação e abertura das portas. Nichos existentes, áreas laterais mais largas ou ambientes próximos à portaria podem funcionar melhor do que corredores estreitos.
Outra possibilidade é substituir modelos com grandes portas de giro por soluções de menor projeção, desde que continuem acessíveis e seguras. Em casos mais complexos, alterar a posição dos módulos ou criar uma área exclusiva para encomendas pode preservar a rota acessível sem eliminar o serviço.
Como o condomínio deve revisar a instalação já realizada?
O primeiro passo é medir e fotografar a situação com os compartimentos abertos. Um arquiteto ou engenheiro pode verificar se o hall mantém as dimensões de circulação, aproximação e manobra exigidas e se a posição interfere também em rotas de fuga ou equipamentos existentes.
Se houver bloqueio, a solução mais adequada é reposicionar ou substituir o mobiliário, em vez de depender da orientação para que moradores “fechem rapidamente” as portas. A acessibilidade deve existir durante o uso normal do espaço e não apenas quando todos os armários estão fechados.
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