Uma cratera de 222 metros surgiu na Lua sem ninguém ver o impacto e o buraco é maior que o Coliseu
Impacto ocorrido em 2024 só foi reconhecido depois em imagens orbitais e produziu a maior nova cratera identificada durante a missão LRO
Um grande impacto modificou silenciosamente a superfície lunar em 2024. A cratera McGetchin, com cerca de 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade, surgiu entre 11 de abril e 22 de maio daquele ano, mas só foi reconhecida posteriormente em imagens da Lunar Reconnaissance Orbiter. É a maior cratera recém-formada identificada durante a missão LRO, iniciada em 2009.
Como a cratera McGetchin apareceu sem ninguém observar o impacto?
A Lua não possui uma rede de observação capaz de registrar continuamente cada ponto de sua superfície. O objeto, provavelmente um asteroide ou fragmento cometário com dimensões comparáveis às de um edifício de vários andares, atingiu uma região próxima ao limbo oriental sem que o choque fosse observado diretamente.
A data foi determinada comparando imagens anteriores e posteriores. Uma fotografia de 11 de abril de 2024 ainda mostrava o terreno intacto, enquanto outra de 22 de maio já continha alterações provocadas pelo impacto. Portanto, os pesquisadores conseguem limitar o intervalo, mas não determinar o dia exato.
Como a Lunar Reconnaissance Orbiter encontrou o novo buraco?
A descoberta ocorreu em 24 de outubro de 2025, quando Robert Wagner analisava mapas produzidos pela câmera de grande angular da LRO. Um ponto excepcionalmente brilhante cercado por um halo escuro indicava que grandes quantidades de regolito haviam sido recentemente perturbadas.
Depois da identificação, a câmera de ângulo estreito registrou o local com resolução muito maior. Essas observações permitiram construir a topografia da cratera, medir profundidade, inclinação das paredes e altura da borda, além de comparar a região diretamente com imagens obtidas antes do impacto.
- Diâmetro médio de 222 metros;
- Profundidade aproximada de 43 metros;
- Borda cerca de 8 metros acima do terreno anterior;
- Paredes com inclinação média de 24°;
- Impacto ocorrido entre abril e maio de 2024.
Este vídeo trata especificamente da descoberta da nova cratera lunar.
O que a cratera McGetchin revelou além do buraco visível?
O impacto lançou material brilhante ao redor da cavidade e modificou uma área muito maior do que os 222 metros de diâmetro sugerem. Imagens térmicas do instrumento Diviner detectaram uma região de aproximadamente 7 quilômetros de largura com temperaturas noturnas cerca de 9 °C inferiores às áreas vizinhas.
A explicação é que o choque revolveu e tornou mais poroso o regolito superficial. Esse material menos compactado perde calor mais rapidamente durante a noite lunar. Assim, um impacto relativamente localizado consegue alterar propriedades físicas do solo a quilômetros de distância da cavidade principal.
Por que esse impacto é tão importante para estudar a superfície lunar?
O estudo publicado na Science Advances oferece uma oportunidade rara de analisar uma cratera grande praticamente imediatamente após sua formação geológica. A maioria das crateras lunares já sofreu milhões ou bilhões de anos de bombardeamento por micrometeoritos e exposição ao ambiente espacial.
A estrutura recebeu oficialmente o nome McGetchin em homenagem ao cientista lunar Thomas McGetchin. Modelos indicam que crateras dessa dimensão se formariam aproximadamente uma vez a cada 130 anos, embora essa frequência seja uma estimativa estatística e não um intervalo regular entre impactos.

Por que a cratera McGetchin é comparada ao Coliseu?
Com 222 metros de diâmetro, a cratera supera a maior dimensão externa do Coliseu de Roma, que possui aproximadamente 189 metros. A comparação ajuda a visualizar sua escala, embora uma cratera lunar e uma construção terrestre naturalmente tenham geometrias muito diferentes.
Ela também é muito maior do que a maioria das crateras recentes identificadas pela LRO. Desde que a missão começou a observar a Lua, mais de mil novas crateras foram reconhecidas, mas nenhuma outra formada durante esse período e identificada pela equipe alcançou dimensões semelhantes.
O que a descoberta ensina sobre futuros equipamentos instalados na Lua?
Os detritos produzidos por impactos podem alcançar distâncias muito superiores ao tamanho da própria cratera. Isso importa para futuras bases, instrumentos científicos, painéis solares e veículos que permaneçam durante anos ou décadas na superfície lunar.
O evento também mostra por que o monitoramento contínuo é valioso. Ao comparar imagens obtidas em diferentes épocas, cientistas conseguem medir como impactos remodelam o regolito e testar modelos de formação de crateras, oferecendo informações importantes sobre a evolução da Lua e os riscos enfrentados por equipamentos de longa duração.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)