Megaobra de R$ 1 bilhão vai remover rochas de um trecho de 35 km no fundo do Rio Tocantins para abrir caminho a navios carregados com milhões de toneladas
A obra pretende abrir uma nova rota para grandes embarcações no interior do país
Quando o nível do Rio Tocantins baixa, uma extensa formação rochosa se transforma em um gargalo para grandes comboios de carga. No sudeste do Pará, o projeto do Pedral do Lourenço pretende abrir um canal navegável em um trecho licenciado de 35 km, retirando rochas do fundo do rio para permitir passagem mais regular ao longo do ano.
O que é o Pedral do Lourenço e por que ele bloqueia grandes embarcações?
O Pedral do Lourenço é uma formação rochosa natural no leito do Rio Tocantins, entre áreas de Itupiranga e Nova Ipixuna, no Pará. Em períodos de estiagem, a menor profundidade aumenta a dificuldade de navegação para comboios carregados.
A formação é maior do que a área que receberá intervenção. O DNIT já descreveu o pedral com cerca de 43 km, enquanto a Licença de Instalação emitida em 2025 autoriza o derrocamento em 35 km entre Santa Terezinha do Tauiri e a Ilha do Bogéa.

Como uma obra consegue remover rochas do fundo de um rio desse tamanho?
A técnica principal é chamada de derrocamento. Em vez de retirar apenas areia e sedimentos soltos, como ocorre na dragagem, o trabalho quebra e remove partes das formações rochosas que ficam dentro do canal projetado para navegação.
A licença prevê controle de ruído, vibrações e impactos sobre a fauna, além de programas ambientais. O projeto inclui um derrocamento subaquático piloto antes da intervenção em escala maior, permitindo medir efeitos e ajustar a execução.
Por que o Rio Tocantins precisa de um canal artificial dentro do próprio leito?
O problema não é a falta de rio, mas a profundidade disponível no caminho dos navios. Em períodos de água baixa, as pedras reduzem o espaço seguro para embarcações carregadas e limitam a regularidade da rota.
O projeto pretende criar uma faixa navegável de aproximadamente 100 metros de largura dentro do próprio Tocantins, sem desviar o curso principal. A ideia é permitir que grandes comboios sigam pelo corredor hidroviário com menos interrupções sazonais.
- Derrocamento: quebra e retira rochas que ocupam a faixa de navegação.
- Dragagem: remove sedimentos soltos em outros trechos da via navegável.
- Canal: cria uma faixa com profundidade adequada ao tráfego de comboios.
- Objetivo: aumentar segurança e previsibilidade durante a estiagem.

A hidrovia poderá transportar 20 milhões ou 40 milhões de toneladas por ano?
Os dois números aparecem em fontes oficiais, mas representam estimativas diferentes. O Ministério de Portos e Aeroportos informou em 2025 que a hidrovia poderia movimentar até 20 milhões de toneladas por ano com o avanço do projeto.
Já uma análise do Tribunal de Contas da União, com base em estimativas do DNIT, cita capacidade nominal de transporte de até 40 milhões de toneladas por ano após a derrocagem. Por isso, os 40 milhões devem ser lidos como capacidade potencial, e não como volume garantido de carga.
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Em que estágio está o Pedral do Lourenço em 2026?
O projeto possui Licença de Instalação desde maio de 2025 e recebeu autorização judicial para retomar o avanço do Trecho 2 no fim daquele ano. Isso não significa que os 35 km já estejam sendo removidos de uma vez.
Em março de 2026, o DNIT ainda acompanhava testes de modelagem física no Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias. Modelos em escala reproduzem correntes, velocidade da água e alterações no fluxo para ajustar o projeto antes das etapas mais pesadas.
Em agosto de 2026, o DNIT também formalizou ações ambientais voltadas à proteção de tartarugas e tracajás afetados pelas futuras intervenções. O empreendimento, portanto, avançou no licenciamento e na preparação técnica, mas a retirada maciça das rochas continua dependente dessas etapas de implantação e controle ambiental.
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