Viana ironiza promessa de Lula de reformar Judiciário: “Só pode ser piada”
Senador questiona anúncio feito pelo presidente a quatro dias da eleição e afirma que petista “montou a turma dele” no Judiciário
O senador Carlos Viana (PSD-MG) criticou nesta quarta-feira, 30, a promessa do presidente Lula (PT) de promover uma reforma do Judiciário em um eventual novo mandato. A declaração foi feita a quatro dias do primeiro turno das eleições e veio acompanhada de uma série de questionamentos sobre a atuação do presidente em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Só pode ser piada. Lula agora promete reformar o Judiciário se ganhar. A quatro dias da eleição. Montou a turma dele lá dentro e passou o mandato inteiro sem falar em reforma nenhuma. Agora, com a eleição batendo na porta, virou reformista”, afirmou Viana.
O senador ainda questionou a mudança de discurso do petista: “Quem montou o problema agora quer vender a solução?”
Lula tem defendido mudanças no Judiciário nas últimas semanas, em meio à crise envolvendo o STF e as investigações relacionadas ao Banco Master. Em 10 de setembro, o presidente afirmou ser necessário discutir mandatos para ministros da Suprema Corte e uma nova reforma do Judiciário.
“Hoje, acho que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, disse Lula na ocasião. O presidente também afirmou que seria necessário discutir o tema com especialistas e a sociedade antes de definir as mudanças.
Em 4 de setembro, Lula já havia defendido que o país discutisse uma reforma do Judiciário a partir de 2027. Na ocasião, afirmou que o debate deveria incluir mudanças estruturais no sistema de Justiça.
Viana, por sua vez, tem defendido mudanças na estrutura do STF. Em abril, o senador afirmou no plenário que apresentou a PEC 39, que propõe ampliar a participação de outros atores no processo de escolha dos ministros da Corte. O texto também prevê mudanças no modelo atual de composição do Supremo.
O senador também passou a defender publicamente o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Em 4 de setembro, Viana pediu a abertura de processo contra o magistrado.
A crítica desta quarta-feira ocorre na reta final da campanha presidencial. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
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