Após 10 anos de projeto, biólogos estudam jiboia mais rara do mundo no Vale do Ribeira (SP)
A jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), descrita em 1953, foi registrada 20 vezes desde 2016 pelo Projeto Jiboia do Ribeira (PJR)
Uma das jiboias mais raras do mundo ganhou uma nova chance de ser estudada pela ciência no Vale do Ribeira, em São Paulo.
A jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), descrita em 1953, foi registrada 20 vezes desde 2016 pelo Projeto Jiboia do Ribeira (PJR), superando todos os seis registros conhecidos nos 63 anos anteriores.
O resultado é considerado um avanço importante para compreender e proteger uma espécie endêmica da Mata Atlântica.
Por que a jiboia-do-ribeira é tão rara?
Durante décadas, encontrar um exemplar vivo de Corallus cropanii parecia praticamente impossível. Entre 1953 e 2016, apenas seis espécimes haviam sido registrados, todos mortos.
A situação começou a mudar em outubro de 2016, quando um morador de Sete Barras procurou o biólogo Bruno Rocha após encontrar uma cobra que poderia ser a espécie procurada. O animal se tornou o primeiro registro vivo em mais de seis décadas.
O que mudou depois do início do projeto?
O Projeto Jiboia do Ribeira aproximou pesquisadores das comunidades locais e transformou moradores em importantes aliados na localização dos animais. Desde 2016, essa estratégia ajudou a identificar 20 novos registros da espécie.
A mobilização também permitiu ampliar o conhecimento sobre uma serpente que ainda guarda muitos mistérios. Entre os principais pontos que os pesquisadores buscam entender estão:
Onde vive a jiboia mais rara do mundo?
A Corallus cropanii é uma serpente não peçonhenta e arborícola, pertencente à mesma família das jiboias e sucuris. A espécie é endêmica da Mata Atlântica e está associada a 22 municípios do Vale do Ribeira, no sul de São Paulo.
Apesar dos novos registros, a população continua pequena. Estimativas indicam a existência de menos de 1.000 indivíduos maduros na natureza, reforçando a necessidade de ações de conservação e pesquisa.
Quais são os próximos desafios para proteger a espécie?
Depois de uma década de trabalho, os pesquisadores agora pretendem ampliar o monitoramento e aprofundar os estudos sobre a biologia da serpente. A falta de informações básicas ainda representa um dos principais obstáculos para compreender sua situação.
Outro problema é o financiamento. Segundo Daniela Gennari, bióloga e técnica da Coleção de Herpetologia do Museu de Zoologia da USP, os recursos são escassos desde o início do projeto e parte dos custos acaba sendo assumida pelos próprios pesquisadores.
Por que os moradores são fundamentais para a pesquisa?
A participação da população se tornou uma das peças centrais do projeto. Ao reconhecer a serpente e comunicar os pesquisadores quando ela aparece, a comunidade ajuda a encontrar exemplares que dificilmente seriam localizados apenas pelas equipes científicas.
Para os próximos dez anos, o objetivo é ampliar essa rede de colaboração e transformar os resultados obtidos no Vale do Ribeira em referência para novas pesquisas e estratégias de conservação da rara Corallus cropanii.
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