Três onças-pintadas em uma árvore: foto rara revela momento de intimidade entre mãe e filhotes no Pantanal
O momento rendeu 419 fotografias e também foi registrado em vídeo por pessoas que acompanhavam a expedição.
Uma cena de poucos minutos de uma onça-pintada transformou uma expedição fotográfica no Pantanal de Mato Grosso em um registro impressionante da vida selvagem.
No fim da tarde de 18 de setembro, o fotógrafo Marcello Cavalcanti flagrou a onça-pintada Medrosa sobre um tronco ao lado dos filhotes Selva e Kairo, no Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé, a 104 km de Cuiabá.
O momento rendeu 419 fotografias e também foi registrado em vídeo por pessoas que acompanhavam a expedição.
Como aconteceu o encontro entre as três onças-pintadas?
Medrosa estava escondida com os dois filhotes em uma espécie de toca formada por uma árvore caída e folhas. Já no fim do dia, ela saiu do esconderijo, atravessou o rio e subiu no tronco, permanecendo ao lado dos pequenos por alguns minutos.
O fotógrafo acompanha a fêmea desde 2021 e já havia registrado outras ninhadas. Desta vez, porém, a posição dos três animais chamou atenção: mãe e filhotes ficaram alinhados sobre o tronco, em uma composição pouco comum.
Três onças e uma árvore: fotógrafo registra onça-pintada com filhotes no Pantanal de MT https://t.co/fW1el7RRPp #g1 pic.twitter.com/QcHYWLNcBw
— g1 (@g1) September 27, 2026
O que os filhotes da onça-pintada faziam perto da mãe?
Selva e Kairo são dois machos que estão em uma fase de intensa interação. Eles brincam, mordem e exploram o ambiente enquanto permanecem próximos de Medrosa.
Segundo a bióloga Julia Ghion, esse comportamento é compatível com o desenvolvimento de jovens onças-pintadas. As interações podem contribuir para habilidades como coordenação motora, equilíbrio e controle da força da mordida, embora uma única cena não permita afirmar que a mãe esteja ensinando uma técnica específica de caça.
🇧🇷 Três onças e uma árvore: fotógrafo registra onça-pintada com filhotes no Pantanal de MT.
— Professor Paulo Basso 🇧🇷🇨🇺🇵🇸🇮🇷🇷🇺 (@ProfessorBasso) September 27, 2026
🇧🇷 Um momento em família na fauna do Pantanal registrado pelo fotógrafo Marcello Cavalcanti.https://t.co/XQbhNx54Zd pic.twitter.com/TfA9yn3tk9
Por que as árvores são importantes para a onça-pintada?
Um estudo publicado em 2023 na revista Acta Ethologica registrou 252 eventos de onças subindo em árvores no Pantanal entre 2013 e 2020. Os filhotes apresentaram maior probabilidade de utilizar essas estruturas do que os adultos.
A observação indica que árvores podem funcionar como locais de descanso e refúgio e também proporcionar oportunidades para os jovens desenvolverem diferentes capacidades. Entre os possíveis benefícios estão:
Ainda assim, a bióloga ressalta que não é possível concluir que Medrosa tenha levado os filhotes ao tronco especificamente para ensiná-los a caçar.
Quanto tempo os filhotes ficam dependentes da mãe?
A independência das onças-pintadas ocorre relativamente tarde. Uma pesquisa de longo prazo publicada em 2023 no Journal of Mammalogy estimou 17,6 meses como idade média de independência dos jovens no Pantanal.
Durante esse período, os filhotes desenvolvem habilidades relacionadas à movimentação pelo território, exploração, identificação de locais seguros, caça, manipulação de presas e avaliação de riscos.
Por que o registro pode ajudar a entender as onças?
O fotógrafo já realizou mais de 170 avistamentos de onças-pintadas na região de Porto Jofre e acompanha Medrosa há anos. Ele inclusive registrou filhotes de ninhadas anteriores e reencontrou um deles, chamado Pantaneiro, já adulto.
Para pesquisadores, acompanhar uma mesma fêmea ao longo de diferentes períodos reprodutivos pode revelar informações sobre tamanho das ninhadas, sobrevivência dos filhotes, idade de independência, uso do território e mudanças de comportamento.
No caso de Selva e Kairo, os próximos anos poderão mostrar como os dois machos avançarão até a independência.
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