NASA revela vídeo em time-lapse feito por satélite de erupção vulcânica após 500 anos de “sono”
O satélite NISAR desenvolvido por Estados Unidos e Índia registrou de forma inédita a transformação de uma paisagem vulcânica na Rússia.
O satélite NISAR desenvolvido por Estados Unidos e Índia registrou de forma inédita a transformação de uma paisagem vulcânica na Rússia.
As imagens do NISAR foram reunidas em um vídeo acelerado que revela, ao longo de meses, o avanço da lava do vulcão Krasheninnikov, na península de Kamchatka.
O registro também mostra como a tecnologia espacial pode acompanhar fenômenos naturais difíceis de observar diretamente.
O que o satélite NISAR conseguiu registrar?
O Krasheninnikov começou a entrar em erupção poucos dias depois de um terremoto de magnitude 8,8 atingir o oceano próximo, em 30 de julho de 2025. O episódio chamou atenção porque o vulcão estava sem atividade havia quase cinco séculos, desde aproximadamente 1550.
O NISAR começou a acompanhar a região em 25 de dezembro de 2025. Desde então, o satélite retornou ao mesmo ponto diversas vezes, permitindo observar a expansão da lava até agosto de 2026.
For the first time in nearly five centuries, Krasheninnikov erupted. 🌋
— NASA Earth (@NASAEarth) September 24, 2026
The @NASA/@ISRO NISAR satellite captured lava filling its caldera and overflowing into a wider crater, showing how NISAR can repeatedly monitor volcanoes and other natural hazards in sharp detail. pic.twitter.com/458fdJOFyQ
Como a lava mudou a paisagem durante a erupção?
A NASA reuniu 17 registros obtidos até meados de agosto em uma animação. O resultado mostra a lava ocupando uma área interna da caldeira, ultrapassando seus limites e avançando para uma região mais ampla.
Os registros também indicam outro fluxo de lava em direção ao noroeste, provavelmente formado antes da primeira observação feita pelo NISAR.
Quais detalhes aparecem nas imagens feitas pelo espaço?
A tecnologia utilizada pelo NISAR é o radar de abertura sintética, conhecido como SAR. O sistema envia milhares de pulsos de micro-ondas para a superfície e analisa os sinais que retornam, permitindo identificar alterações no terreno mesmo sem depender de imagens ópticas convencionais.
Os registros do vulcão apresentam resolução de aproximadamente 10 metros por 10 metros por pixel. A lava aparece mais clara porque reflete as micro-ondas de maneira diferente do solo e da neve ao redor.
Por que esse monitoramento pode ser importante?
A missão permite acompanhar mudanças em vulcões com uma frequência e uma resolução que, segundo a NASA, ampliam significativamente a capacidade de observação desses fenômenos.
Entre os principais recursos estão:
O que torna o NISAR diferente de outros satélites?
O NISAR é uma missão conjunta da NASA e da Organização Indiana de Pesquisa Espacial, a ISRO. Ele é o primeiro satélite espacial a transportar dois instrumentos SAR com diferentes comprimentos de onda, um de banda L e outro de banda S.
O refletor em formato de tambor mede 12 metros de diâmetro e é descrito pela NASA como a maior antena refletora de radar já enviada ao espaço pela agência.
O acompanhamento do Krasheninnikov demonstra uma das aplicações práticas dessa tecnologia para observar mudanças na superfície terrestre.
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