O Caribe Amazônico está entre as 100 melhores praias do mundo: a vila onde a areia branca só aparece quando o rio baixa
A areia branca surge com mais força quando o nível do rio começa a baixar
Uma praia costuma depender do mar, mas no oeste do Pará ela depende do calendário de um rio. Em Alter do Chão, Pará, a Ilha do Amor surge em frente à vila quando o Rio Tapajós baixa, e acaba de entrar na lista das 100 melhores praias do mundo. O resultado coloca uma praia de água doce ao lado dos litorais mais famosos do Brasil.
Em que posição a Ilha do Amor ficou entre as melhores praias do mundo?
A Ilha do Amor ficou em 44º lugar no ranking Best Beaches in the World, que reúne as 100 melhores praias do planeta. Segundo a Prefeitura de Santarém, município ao qual a vila pertence como distrito, ela virou a 4ª praia brasileira mais bem colocada, atrás apenas da Praia de Atins, nos Lençóis Maranhenses, da Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, e de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A lista é montada com a avaliação de mais de mil especialistas em turismo, jornalistas e profissionais de viagem de vários países. Com essa posição, a praia amazônica passou à frente de nomes muito conhecidos, como a Praia do Madeiro, em Pipa, a Praia do Bonete, em Ilhabela, e a Praia do Rosa, em Imbituba. É um feito raro para uma praia longe do mar e coberta pelo rio em parte do ano.

Antes do ranking mundial: a trajetória do Caribe Amazônico
Dados de 2025: Dieese, com base na Secretaria de Estado de Turismo do Pará, divulgados pelo Portal do Turismo de Santarém.
Por que a praia de Alter do Chão só aparece em parte do ano?
A praia depende da vazante, o período em que o nível do Tapajós cai e os bancos de areia voltam à superfície. De acordo com o Ministério do Turismo, essa fase, chamada na região de verão amazônico, vai de agosto a dezembro. Quem chega nessa época vê do cais a faixa de areia, as barracas cobertas de palha e as águas azuis do rio cercadas pelo verde da mata.
Na Amazônia, o rio sobe e desce ao longo do ano, e não a cada poucas horas como a maré. Quando as chuvas enchem o Tapajós, a Ilha do Amor fica coberta e os passeios passam a ser de barco entre árvores alagadas.

A vila que venceu uma votação nacional com 97,55% dos votos
Em 2021, Alter do Chão foi eleita Melhor Destino Turístico Nacional no Prêmio UPIS de Turismo, com 97,55% dos votos, conforme a Prefeitura de Santarém. A Chapada Diamantina, na Bahia, ficou em segundo lugar, com 1,48%, e o Jalapão, no Tocantins, em terceiro, com 0,99%.
O placar ajuda a entender a fama de um lugar pequeno. A vila tem cerca de 6 mil habitantes, fica na margem direita do Tapajós e está a cerca de 37 km do centro de Santarém, com acesso principal pela Rodovia Everaldo Martins. Quem vem de longe desembarca no aeroporto de Santarém e segue de carro, táxi ou ônibus.
O que fazer em Alter do Chão além da Ilha do Amor?
A vila reúne passeios a pé, de canoa e de lancha, quase todos com o rio como cenário. A Secretaria Municipal de Turismo de Santarém (Semtur) apresenta o destino como o Caribe Amazônico e destaca atrativos que vão além do cartão-postal:
- Serra da Piroca: trilha até o morro mais marcante da paisagem, com vista do rio, dos lagos e da vila.
- Lago Verde: águas calmas ao lado da Ilha do Amor, ideais para passeios de canoa.
- Ponta do Cururu: faixa de areia que avança sobre o Tapajós, muito procurada no fim de tarde.
- Ponta do Muretá: praia mais afastada da vila, alcançada em passeios de barco pelo Tapajós.
- Praia do Cajueiro: praia próxima à vila, presente nos roteiros de barco.
- Centro de Atendimento ao Turista (CAT): ponto tradicional para ver o sol se pôr sobre o rio.
- Floresta Nacional do Tapajós: área federal com trilhas guiadas por moradores credenciados e árvores gigantes.
Quem sonha em conhecer o Caribe amazônico no Pará, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal César Por Aí, que conta com mais de 50 mil visualizações, onde César mostra as praias e passeios em Alter do Chão:
Do Tapajós ao Rio Arapiuns
Os roteiros de barco também cruzam o Tapajós rumo ao Rio Arapiuns, onde ficam praias preservadas, igarapés e comunidades ribeirinhas que recebem visitantes. À noite, a vila mantém uma agenda própria, com o Carimbó na Toca do Tatu, a Quinta do Mestre, feiras de artesanato e comida regional.
Como é o clima de Alter do Chão ao longo do ano?
Alter do Chão tem calor o ano inteiro, com mínimas perto de 24°C e máximas que chegam a 32°C na média de outubro. O que muda de verdade é a chuva: março concentra quase 500 mm, enquanto setembro fica perto de 73 mm, segundo a climatologia do Climatempo para Santarém, cidade-base a 37 km da vila.
Essa diferença comanda o rio: os meses chuvosos enchem o Tapajós, e a queda das chuvas no meio do ano abre caminho para a vazante.
Alter do Chão em cada estação
Médias aproximadas da climatologia de 30 anos do Climatempo para Santarém. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, que alteram as chuvas e o nível do rio. Consulte a previsão atual do Climatempo.
Uma praia que segue o ritmo do rio
Alter do Chão mostra que uma praia de nível mundial não precisa de sal nem de ondas. Bastam um rio de águas claras, bancos de areia branca e uma vila pequena que aprendeu a viver no compasso da cheia e da vazante.
Você precisa atravessar de canoa até a Ilha do Amor e ver o sol se pôr sobre o Tapajós para entender por que a Amazônia entrou no mapa das melhores praias do planeta.
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