Clarita Maia na Crusoé: Liderança em segurança não se proclama
Escudo das Américas não é mero séquito de Washington, mas um esforço concertado de 15 Estados para resolver um problema comum
A política externa brasileira tem cultivado com zelo a retórica anti-imperialista (leia-se, antiamericana) e critica, com frequência, a decisão soberana de países latino-americanos de aderir ao Escudo das Américas ou de adotar listas nacionais de organizações terroristas.
Por trás dessa postura há uma presunção: a de que o Brasil não admite deixar de ser tratado como o primeiro entre iguais na região.
Quinze dos 35 Estados independentes das Américas, cerca de 43%, aderiram ao Escudo.
Perto de quinze países latino-americanos compareceram à 1ª Reunião Regional da Coalizão Contra Cartéis das Américas (CTTF, na sigla em inglês) e dez deles relataram investigações em andamento ou concluídas sobre a presença de redes terroristas ligadas ao Irã em seus territórios.
Diante disso, Brasília não enxerga o que parece evidente. O continente deseja uma resposta mais assertiva e mais concertada contra cartéis, narcotráfico, crime organizado transnacional e terrorismo.
Há um problema concreto a enfrentar, não a negar sob as justificativas mais engenhosas, retóricas e jargões diplomáticos.
Quando essa negação sistemática parte de quem se pretende líder regional, ela subtrai dos países que se pretende liderar sua dignidade e sua autonomia. Retira também de suas polícias, de seus técnicos e de seus investigadores a credibilidade profissional que lhes é devida.
A maneira como o tema repercute na imprensa brasileira revela dois movimentos sobrepostos.
O primeiro é a tentativa de desacreditar a seriedade das ameaças.
O segundo é a redução de uma questão hemisférica ao imbróglio doméstico entre Lula, Trump e Bolsonaro.
Tudo o que se decide em Washington, Assunção ou Bogotá…
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