Conchas e caranguejos carregam nutrientes em escala gigantesca e produção global reuniu B12 para mais de 5 bilhões de pessoas
Estudo global calculou o conteúdo de 30 nutrientes em moluscos, crustáceos e outros animais aquáticos produzidos pela pesca e aquicultura
Mexilhões, ostras, caranguejos, camarões e outros invertebrados aquáticos representam muito mais do que uma parcela da pesca mundial. Um estudo publicado na Nature em setembro de 2026 calculou que a produção registrada em 2019 continha vitamina B12 e selênio em quantidades equivalentes às necessidades anuais de mais de 5 bilhões de pessoas. A estimativa descreve o volume de nutrientes produzido, não significa que toda essa população efetivamente recebeu ou consumiu esses nutrientes.
Por que os invertebrados aquáticos concentram tantos nutrientes?
Os pesquisadores combinaram dados globais de pesca extrativa, aquicultura e composição nutricional. Foram avaliados 30 nutrientes importantes para a saúde, incluindo vitaminas, minerais, proteínas e ácidos graxos essenciais. Em vários casos, invertebrados apresentaram concentrações superiores às de outros alimentos aquáticos.
Moluscos foram particularmente importantes. Bivalves, como mexilhões e ostras, apresentaram altas concentrações de ferro, iodo, zinco e vitamina B12. Equinodermos, grupo que inclui ouriços e pepinos-do-mar, destacaram-se em nutrientes como selênio, magnésio e manganês.
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O que significa dizer que há nutrientes para bilhões de pessoas?
Os autores converteram a quantidade total de cada nutriente produzida em 2019 em equivalentes de necessidades nutricionais anuais. Assim, a produção marinha capturada e a aquicultura juntas continham selênio e vitamina B12 suficientes, teoricamente, para superar as recomendações anuais médias de 5 bilhões de pessoas.
Isso não corresponde a 5 bilhões de pessoas alimentadas. Parte da produção não chega ao consumidor, nutrientes podem ser perdidos no processamento e existem diferenças de acesso, preço, biodisponibilidade, desperdício e hábitos culturais.
- Mais de 5 bilhões de necessidades anuais para vitamina B12;
- Mais de 5 bilhões para selênio;
- Mais de 1 bilhão para cobre;
- Mais de 1 bilhão para iodo e zinco;
- Mais de 1 bilhão para ácidos graxos ômega 3.
Este vídeo apresenta o valor nutricional dos mexilhões.
Quais invertebrados aquáticos tiveram maior impacto nutricional?
Moluscos e artrópodes dominaram tanto a produção quanto grande parte do fornecimento estimado de nutrientes. Apenas os moluscos cultivados representaram vitamina B12 equivalente às necessidades anuais de mais de 4 bilhões de pessoas, além de grandes quantidades de selênio, cobre e iodo.
Na pesca marinha, os invertebrados correspondiam a cerca de 15% do volume capturado, mas forneciam proporções maiores de determinados micronutrientes. Para vitamina C e manganês, por exemplo, sua participação ultrapassava 30% do fornecimento proveniente das capturas analisadas.
Como os pesquisadores fizeram uma avaliação tão ampla?
A equipe integrou o Aquatic Food Composition Database a estatísticas globais de pesca e aquicultura. O banco nutricional usado para modelar os invertebrados continha 13.888 amostras provenientes de 465 espécies, além de informações sobre habitat, temperatura e características biológicas.
No estudo publicado na Nature, modelos hierárquicos bayesianos foram usados para estimar a composição potencial de 50.807 espécies de macroinvertebrados registradas no SeaLifeBase. Essas previsões ampliam a cobertura, mas não substituem medições laboratoriais diretas para cada espécie.

Por que os invertebrados aquáticos podem contribuir mais do que seu peso sugere?
Na aquicultura de 2019, os invertebrados representaram aproximadamente um terço do volume produzido, mas forneceram mais de 70% do cobre e do zinco estimados nesse setor. Também responderam por mais da metade da vitamina B12, do iodo, do ferro, do sódio e da vitamina C calculados para a produção aquícola.
A composição varia fortemente entre espécies e regiões. Por isso, aumentar simplesmente a quantidade produzida não garante uma dieta melhor. Sustentabilidade ecológica, segurança alimentar, disponibilidade local e acesso econômico precisam acompanhar qualquer estratégia nutricional.
Esses números significam que frutos do mar resolveriam deficiências nutricionais globais?
Não. O estudo quantifica potencial nutricional existente na produção, mas os próprios autores destacam barreiras importantes. Alimentos podem estar disponíveis em países ou mercados diferentes daqueles onde as deficiências são maiores, além de existirem questões de preço, segurança, processamento e aceitação cultural.
Também seria inadequado defender expansão indiscriminada da pesca para aproveitar esse potencial. A contribuição nutricional precisa ocorrer dentro de limites ecológicos sustentáveis. O trabalho mostra principalmente que alimentos frequentemente tratados apenas como produtos pesqueiros representam também enormes reservatórios de micronutrientes relevantes para políticas de alimentação e saúde pública.
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