NYT aponta “escândalo explosivo” envolvendo Moraes e STF
Reportagem afirma que mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro "energizaram a direita"
Uma reportagem do jornal The New York Times descreve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como uma peça central em um “escândalo explosivo” no Judiciário brasileiro.
O veículo americano reportou, na quinta-feira, 24, sobre a crise no Supremo após as revelações de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro da Corte.
Segundo o NYT, o episódio “energizou a direita” em meio à eleição e reforçou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula (PT) ao Planalto.
“A crise que assola o Judiciário proporcionou mais uma vantagem para o Sr. Bolsonaro. Ela eclipsou as revelações de que ele próprio está sendo investigado pelas autoridades por ter recebido milhões de dólares do Sr. Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre seu pai”, afirmou o NYT, citando as investigações sobre o filme Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro (PL).
O texto afirma que Moraes é uma figura “polarizadora” e que é visto como “vilão” por parte dos brasileiros.
De acordo com o NYT, o ministro André Mendonça, da mesma forma, também se tornou alvo de críticas por uma suspeita de atuação com motivação política.
A reportagem cita o pedido de Vorcaro ao ministro para evitar a prisão e trata de um contrato milionário com o escritório da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes.
O New York Times afirmou que Moraes “desempenhou um papel fundamental” na defesa da integridade da votação de 2022 e na garantia de uma transição pacífica de poder.
No entanto, segundo o jornal, o magistrado “prendeu pessoas sem julgamento e censurou discursos online, com pouca transparência ou possibilidade de recurso”.
O jornal afirma que a crise, além de abalar a campanha presidencial, levantou questionamentos sobre a saúde de uma instituição vital. Agora, diz o NYT, o próprio STF se viu no centro de uma tempestade política, com novas revelações de Vorcaro sobre outros ministros, inclusive o presidente da autoridade eleitoral do país, Nunes Marques.
“Cada vez mais, o tribunal tem sido visto como tomando partido político”, escreveu o NYT.
“Com o ministro Moraes afastado e a confiança pública em frangalhos, especialistas temem que o tribunal possa ter dificuldades para repelir novos ataques às instituições brasileiras, como a interferência eleitoral dos Estados Unidos, a desinformação impulsionada por inteligência artificial ou uma votação contestada caso Bolsonaro perca.”
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