Argentina tem alta da pobreza e retração da economia
Dados oficiais mostram reversão da queda da pobreza na Argentina e contração da atividade econômica no início do terceiro trimestre
O Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) informou nesta quinta-feira que o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) recuou 1,4% em julho ante o mesmo mês de 2025 e caiu 2,9% frente a junho na série dessazonalizada, o que analistas apontam como o menor nível desde março de 2025.
O resultado veio horas depois de o presidente Javier Milei minimizar as preocupações com a estagnação econômica em entrevista à Bloomberg em Nova York, projetando crescimento de cerca de 3% neste ano e ritmo semelhante em 2027.
O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que o EMAE acumula alta de 1,7% nos primeiros sete meses do ano e atribuiu a queda de julho a fatores pontuais, como a menor disponibilidade de gás para a indústria, chuvas e neve acima da média para a construção e a mineração, e a redução de horas trabalhadas em alguns setores durante a Copa do Mundo.
8 dos 15 setores que compõem o indicador caíram na comparação anual, com destaque para comércio atacadista e varejista, com queda de 5,1%, e indústria manufatureira, com recuo de 4,6%. Pesca, que tem pouco peso, subiu 424,5%, e mineração outros 8,4%, enquanto a agropecuária avançou 0,7%.
No mesmo dia, o Indec divulgou que a pobreza atingiu 32,3% das pessoas no primeiro semestre de 2026, ante 28,2% no segundo semestre de 2025, interrompendo a trajetória de queda registrada desde o início do governo Milei. A indigência também subiu, de 6,3% para 7,5%, no período.
Em termos de domicílios, 24,4% estão abaixo da linha de pobreza e 5,6% abaixo da linha de indigência, o equivalente a 9,729 milhões e 2,249 milhões de pessoas, respectivamente, nos 31 aglomerados urbanos pesquisados pela Pesquisa Permanente de Domicílios.
44,5% das crianças argentinas de 0 a 14 anos vivem em lares pobres, proporção que cai para 28,8% na faixa de 30 a 64 anos e para 14,8% entre maiores de 65 anos. O Indec atribuiu o avanço ao fato de que a renda cresceu menos do que as cestas básicas total e alimentar no período.
Já o governo classifica o dado como temporário e o relaciona à aceleração da inflação após a incerteza eleitoral do ano passado.
Dados do Sistema Integrado Previdenciário Argentino, da Secretaria de Trabalho, mostram 13 meses seguidos de queda do emprego assalariado formal, enquanto a renda média dos ocupados no primeiro trimestre de 2026 seguia 13% abaixo do nível do terceiro trimestre de 2017.
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