PT faz o diabo até com Nossa Senhora
Desesperada fake news religiosa dá a dimensão do incômodo de quem até tenta defender Lula, mas não consegue enxergar motivos
Não veio de André Janones (Avante-MG) — e, até onde se sabe, ele não tem nada a ver com isso — a maior fake news da eleição 2026 (até agora). Entre todas as mentiras que os lulistas contaram na campanha deste ano, a falsa polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida dificilmente será superada.
A intriga é antiga, surgiu a partir de um projeto de lei de apresentado em 2007 e arquivado em 2008, e foi reciclada mais uma vez nos últimos dias: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria o plano de tirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, num gesto ao eleitorado evangélico.
A fake news ganhou ares de notícia quando foi mencionada como se fosse verdade em telejornal da GloboNews, o que aumentou por algumas horas a intensidade de sua disseminação.
A emissora pediu desculpas por endossar a informação errada, mas os lulistas seguem alimentando a história. Janja publicou foto de Lula com a santa (foto), Geraldo Alckmin se disse preocupado, Simone Tebet apareceu dentro de uma igreja, tudo em meio à proibição irresponsável das bets pelo presidente. É o PT e seus satélites fazendo o diabo como nunca, como preconizou Dilma Rousseff.
Os erros
A informação errada diz menos sobre as intenções políticas do noticiário — e não faltam motivos para desconfiar da inclinação de algumas coberturas — do que sobre o ambiente que se criou, de adesão a teorias conspiratórias que parecem perfeitas (e são) demais para descartar.
Diante da debilidade política de Lula, seus apoiadores torcem — até acreditar — para o surgimento de informações ainda piores sobre seus adversários e tudo acaba se misturando em meio à expectativa e à tentativa de equilibrar coberturas jornalísticas — como se esse devesse ser o objetivo.
A família Bolsonaro tem defeitos o bastante para que não seja preciso inventar outros, mas Jair, Flávio, Eduardo e Carlos parecem não soar tão mal para boa parte do eleitorado na comparação com Lula. O incômodo na base de apoio do petista, cheia de artistas, é evidente.
Desespero
Lula fez um péssimo terceiro governo na tentativa de repetir os dois primeiros, e acabou expondo os defeitos de seus dois outros mandatos: o petista sempre gastou demais o dinheiro dos outros, mas as condições de 2003 a 2010 eram muito melhores do que as que ele encontrou em 2023.
O resultado disso é um final de primeiro turno melancólico e desesperado, cheio de promessas ilusórias, que já tinham começado com o irresponsável projeto de acabar com a escala de trabalho 6×1, e foram ampliadas com o plano de distribuir canetas emagrecedoras de graça e a proibição das bets, que esse mesmo governo regulamentou em busca de impostos para sustentar a gastança.
O reajuste eleitoreiro de 15% do Bolsa Família a duas semanas da eleição foi a cereja nesse bolo de ilusões que faz questionar por que Lula mereceria um novo mandato, já que dificilmente conseguirá lidar com o os próximos quatro anos, a julgar pelo que fez nos últimos quatro.
Fake news
Por fim, ironicamente, a disseminação de tantas mentiras, algumas de forma oficial, põem em xeque todo o discurso contra fake news que os petistas alimentaram ao longo dos últimos anos, ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Enrolado com o escândalo no Banco Master, Moraes tem recebido, ele mesmo, suporte de uma rede de desinformação alimentada por lulistas, o que endossa tudo o que os bolsonaristas disseram sobre ele nos últimos anos.
O inquérito das fake news não termina com uma explosão, mas com um suspiro.
Leia mais: Masterclass de fake news com André Janones
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Comentários (1)
Marian
26.09.2026 10:02Existem limites. Uma blasfêmia não é?