EUA e China prorrogam trégua tarifária
Durante visita de Xi à Casa Branca, Trump e líder chinês tratam de Taiwan, Irã e IA
Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se reuniram nesta quinta-feira, 24, na Casa Branca, em Washington, no primeiro encontro presencial de Xi em solo americano desde 2015.
A conversa, realizada no Salão Oval e com duração superior a três horas, tratou de comércio bilateral, Taiwan, o conflito no Irã e o desenvolvimento de inteligência artificial, além de gestos simbólicos como o anúncio do envio de pandas a um zoológico americano.
Discursos marcam tom da reunião
Antes do encontro reservado, os dois líderes fizeram declarações públicas que evidenciaram estilos distintos.
Trump destacou a relação pessoal construída com o chinês ao longo de dez anos: “Desde a minha primeira eleição em 2016, o presidente Xi e eu forjamos uma amizade, uma amizade verdadeiramente grande, na verdade, construída sobre o respeito mútuo e os interesses vitais de nossos povos”.
Segundo a agência Associated Press, Xi adotou postura mais formal. O líder chinês declarou que os interesses das duas nações estão “profundamente entrelaçados” e defendeu que a disputa entre as potências “deveria ser saudável e se manter dentro de limites”. Ele acrescentou que ambos os países precisam assegurar que “não haja conflito nem confronto entre nós”.
Sobre inteligência artificial, Xi defendeu que o avanço da tecnologia permaneça “sempre sob controle humano”, posição que contrasta com a postura mais permissiva de Trump em relação aos riscos do setor. O chinês afirmou que as duas nações “têm a capacidade e a responsabilidade de desenvolver e administrar a IA para o bem e garantir que seu desenvolvimento esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar da população”.
Dias antes, os ministros de Finanças dos dois países já haviam discutido um mecanismo de notificação para incidentes ligados à IA.
Taiwan, Irã e trégua comercial dominam pauta
Já no Salão Oval, Xi pediu a Trump cautela em relação a Taiwan e cobrou oposição à independência da ilha autogovernada, reivindicada por Pequim como parte de seu território.
A China pressiona Washington para suspender definitivamente a venda de armamentos a Taiwan, tema já levantado no encontro de maio, em Pequim, quando Trump havia suspendido a liberação final de um pacote militar de 14 bilhões de dólares e tratado o armamento como moeda de troca nas negociações.
Quanto ao Irã, Xi solicitou que Trump busque encerrar a guerra “por meio de negociação o quanto antes”.
A China é apontada como fornecedora de inteligência a Teerã e resistiu a pressões econômicas americanas para intermediar um acordo nos termos dos Estados Unidos, em um conflito que se aproxima de sete meses. Pequim também criticou os ataques militares dos americanos e de Israel contra instalações nucleares iranianas, e Xi disse temer um retrocesso ao que chamou de “lei da selva”.
No campo comercial, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira uma prorrogação de dois meses da trégua tarifária entre os países, que venceria em 10 de novembro.
Recepção gera críticas internas
A chegada de Xi começou na quarta-feira, quando Trump o recebeu pessoalmente na Base Conjunta Andrews — primeira vez em mais de sessenta anos que um presidente americano faz esse gesto a um chefe de Estado estrangeiro naquele local.
Nesta quinta, uma cerimônia no jardim sul da Casa Branca incluiu desfile militar e sobrevoo de aeronaves, entre elas um bombardeiro B-2.
O tratamento dado a Xi provocou críticas de parlamentares dos dois partidos. O senador republicano Roger Wicker, do Mississippi, afirmou que teria recomendado à Casa Branca evitar uma recepção tão suntuosa diante das preocupações existentes com o governo chinês, segundo relato reproduzido pela Associated Press.
Xi anunciou ainda a concessão de bolsas de intercâmbio a 100 mil jovens americanos ao longo de cinco anos e o envio de dois pandas ao zoológico de Atlanta.
À noite, Trump e a primeira-dama, Melania Trump, ofereceram jantar oficial com brinde em memória do ex-presidente Richard Nixon, cuja viagem à China em 1972 originou o restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países em 1979.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)