Nova fase da Carbono Oculto mira diretor do Banco Genial e empresário ligado a Vorcaro
Operação apura a utilização de estruturas complexas de lavagens de capitais para a aquisição da distribuidora Terrana
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira, 24, a terceira fase da Operação Carbono Oculto para apurar a utilização de estruturas complexas de lavagens de capitais para a aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em 29 endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas.
As buscas foram autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2.ª Vara Criminal de Catanduva, e ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
Entre os alvos da terceira fase da Carbono Oculto estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, e o dono da Entre Investimentos, Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, que é ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Freixo Junior assinou, no início de setembro, um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre o Banco Master.
Terceira fase
O Ministério Público de São Paulo afirmou que houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa investigada, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
“Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados”, disse o MPSP, em comunicado.
Os investigadores encontraram uma operação de aproximadamente 370 milhões de reais em direitos creditórios da usina.
Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos mediante a transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC).
“A análise financeira indicou que parcela relevante dos recursos empregados na aquisição das cotas se originou de fundos de investimentos controlados pelo mesmo grupo investigado. A estrutura teria criado um fluxo financeiro circular, conferindo aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos reais beneficiários”, afirmou.
“A ocultação da titularidade da usina sucroalcooleira, em duas etapas e por dois grupos de operadores do mercado financeiro, foi providencial não apenas para blindar a usina sucroalcooleira, mas também instrumentalizá-la para a estruturação de um novo negócio jurídico pela organização criminosa: a aquisição de uma das maiores distribuidora de combustíveis do país”, seguiu.
Estrutura financeira
A aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada.
A estrutura teria sido montada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.
A usina teria recepcionado em suas contas bancárias 100 milhões de reais enviados pela organização criminosa para financiar a referida aquisição, passando a integrar a carteira de um novo fundo de investimento criado especificamente para o negócio jurídico.
O Ministério Público descobriu que os valores passaram “em poucos minutos” por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como “contas de passagem” até aportarem na conta da usina sucroalcooleira.
“Depois, a fraude foi arquitetada por intermédio de um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). O fundo de investimento realizou a aquisição de um CDB perante o Banco Tradicional que, por sua vez, utilizou o dinheiro para realizar uma operação “casada” com a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas shell companies da própria organização criminosa. Essas empresas de fachada se capitalizaram mediante este negócio jurídico simulado e foram utilizadas para ocultar e dissimular os verdadeiros beneficiários finais do negócio jurídico, ou seja, a aquisição da distribuidora de combustíveis”, afirmou.
A investigação constatou a construção e a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, “não apenas pela organização criminosa atuante em todo o setor de combustíveis, mas essencialmente por operadores do mercado financeiro que prestam serviços de lavagem de capitais, consistindo em verdadeiras convergências criminosas à disposição de múltiplos grupos criminosos”.
Conforme o MPSP, a empresa financeira empregada na aquisição simulada da empresa sucroalcooleira movimentou cerca de 11,6 bilhões de reais entre 2021 e 2025.
Leia também: 14,3 bilhões de motivos para Vorcaro buscar ministros do STF e STJ
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)