O “deserto das águas” onde é quase impossível afundar: destino do Cerrado tem dunas de até 40 metros e nascentes que empurram banhistas para cima
A pressão da água subterrânea movimenta a areia e cria uma sensação incomum de flutuação
Areia alaranjada, água transparente e uma sensação estranha de flutuar sem esforço formam uma das paisagens mais incomuns do país. No Jalapão, Tocantins, nascentes de alta pressão criam os famosos fervedouros, enquanto dunas chegam a 40 metros de altura. O destino ganhou o apelido de “deserto das águas” justamente por reunir terreno seco e grandes volumes de água no meio do Cerrado.
Os fervedouros fazem o corpo subir em vez de afundar
A água brota do lençol freático com pressão suficiente para suspender areia e ajudar o banhista a flutuar. O portal oficial Jalapão Tocantins explica que os fervedouros são pequenas nascentes de águas transparentes em que a pressão ascendente dificulta o afundamento.
O fenômeno acontece porque a água sobe pelo solo arenoso e mantém os grãos em movimento. Quando uma pessoa entra, a força da nascente reduz a sensação de peso e cria a flutuação que tornou o lugar famoso.
Existem vários fervedouros com tamanhos, formatos e tonalidades diferentes, especialmente na região de Mateiros e São Félix do Tocantins. A experiência não depende de piscina artificial nem de equipamento.
Quatro paisagens que explicam o Jalapão
As dimensões são referências divulgadas pelo Ministério do Turismo para os principais atrativos da região.

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As dunas nasceram da erosão de antigas formações de arenito
O vento transporta partículas desprendidas das serras e acumula areia em grandes montes alaranjados. O próprio portal turístico do estado explica que as dunas foram formadas ao longo do tempo com material vindo das rochas de arenito da Serra do Espírito Santo.
Algumas chegam a cerca de 40 metros de altura e se tornaram um dos cartões-postais mais reconhecíveis do Jalapão. O acesso exige veículo adequado e caminhada final até os pontos de observação.
O contraste fica mais evidente no fim do dia, quando a luz muda a tonalidade da areia e destaca as serras do entorno. Não é um deserto clássico: rios, nascentes e veredas continuam presentes em toda a região.

A Cachoeira da Velha mostra a força do Rio Novo
A Cachoeira da Velha possui aproximadamente 15 metros de altura e cerca de 100 metros de largura. O Ministério do Turismo destaca a queda em formato de ferradura como uma das maiores atrações da região.
O volume de água impede banho diretamente na queda, mas a Prainha do Rio Novo oferece uma experiência mais tranquila logo adiante. Já a Cachoeira do Formiga tem água esverdeada e queda menor, procurada para banho.
Essa combinação de rios volumosos, nascentes e dunas secas explica o apelido “deserto das águas”. A paisagem parece árida em vários pontos, mas a água aparece continuamente entre serras e vegetação.

O roteiro exige estrada de terra e deslocamentos longos
O Jalapão não é uma cidade e seus atrativos ficam espalhados por vários municípios. Mateiros, São Félix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins funcionam como bases para diferentes partes do circuito.
- Fervedouros: nascentes de alta pressão onde a flutuação é a principal experiência.
- Dunas: grandes formações alaranjadas próximas à Serra do Espírito Santo.
- Cachoeira do Formiga: pequena queda de água transparente e esverdeada.
- Cachoeira da Velha: grande queda no Rio Novo, observada de passarelas.
- Pedra Furada: formação de arenito esculpida pelo vento perto de Ponte Alta.
- Serra do Espírito Santo: área de caminhada e vista sobre o Cerrado.
As distâncias e o terreno ajudam a explicar por que veículos 4×4 e guias locais são comuns nos roteiros. Alguns atrativos exigem agendamento e controle de entrada para limitar o número de visitantes.
Quem sonha em desbravar o coração do Tocantins, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 640 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra cachoeiras, fervedouros e dunas no Jalapão:
Como é o clima do Jalapão durante o ano?
O ano alterna meses muito chuvosos e uma seca quase completa. Usando Mateiros como referência, as médias de 30 anos mostram 256 mm de chuva em janeiro e praticamente zero em julho e agosto.
Jalapão em cada estação
Os valores usam como referência as médias de 30 anos de Mateiros no Climatempo. El Niño e La Niña podem alterar o padrão entre os anos. Para as condições atuais, consulte a previsão para Mateiros.
O Jalapão transformou água e areia em uma paisagem difícil de repetir
A força do destino está justamente no contraste. Dunas altas aparecem perto de rios, cachoeiras e nascentes capazes de empurrar areia e banhistas para cima.
É uma região extensa, espalhada por vários municípios e marcada por deslocamentos longos. Mas a imagem dos fervedouros e das dunas resume por que o Jalapão ganhou identidade própria: poucas paisagens brasileiras misturam seca e água de forma tão evidente.
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