Integrante de “Os Meninos” de Vorcaro pede a Fachin revogação de prisão
Rodrigo Avelar é apontado pela PF como colaborador técnico do núcleo hacker e está preso preventivamente desde 14 de maio
Apontado pela Polícia Federal (PF) como integrante de “Os Meninos”, núcleo investigado por ações de monitoramento e ataques digitais em favor da estrutura ligada a Daniel Vorcaro, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos pediu nesta terça-feira, 22, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a revogação de sua prisão preventiva.
Preso desde 14 de maio, ele argumenta que o pedido de soltura já recebeu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e pode ser analisado mesmo com a indefinição sobre o processamento dos casos relacionados à Petição 15.556.
Foi nessa Petição em que foram processados, no STF, os pedidos de prisão preventiva relacionados à 6ª fase da Operação Compliance Zero, envolvendo investigados dos núcleos que a PF chama de “A Turma” e “Os Meninos”. Foi nesse processo que André Mendonça decretou, em 13 de maio de 2026, a prisão preventiva de Rodrigo Campos e de outros investigados.
Na manifestação apresentada nesta terça, Rodrigo ressalta que, em 20 de agosto, a defesa requereu a revogação da preventiva. Depois, o pedido foi submetido à PGR, que, em 18 de setembro de 2026, manifestou-se pela manutenção da prisão. “Não há manifestação pendente. O pedido está em condições de ser apreciado”.
Ele argumenta ainda que a indefinição sobre processos não deve impedir a análise da revogação ou manutenção da prisão.
O investigado sustenta que, embora a Petição 15.978 esteja entre os procedimentos relacionados à de número 15.556 (também ligada ao caso Master) remetidos à Presidência do STF, a questão prisional já estaria pronta para decisão.
Ao defender a manutenção da prisão preventiva na sexta-feira, 18, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que “há indícios suficientes do possível envolvimento do requerente nos fatos sob investigação, traduzindo-se em elementos de materialidade e autoria que não podem ser descartados”.
Nas palavras do PGR, “a apuração em espécie encontra-se em andamento, existindo diligências pendentes de implemento que se revelam úteis para eventual confirmação das hipóteses que ensejaram a investigação. Nesse ponto, a prisão preventiva fundou-se em elementos suficientes de autoria, não elididos por fatos posteriores à sua decretação. Referido entendimento foi alcançado pela 2ª Turma do STF, ao referendar a decretação da medida”.
Dessa forma, prosseguiu, demonstra-se necessária “a manutenção da segregação do investigado, dado o risco concreto de reiteração delitiva e fuga“.
Para Rodrigo, porém, a referência a diligências em curso não demonstra a necessidade da prisão. “O parecer não indica de que forma a liberdade de Rodrigo poderia interferir em sua realização, muito menos aponta ato que dependa de sua permanência no cárcere”.
Os advogados salientam que ele intimado para prestar depoimento perante a Polícia Federal no dia 6 de outubro de 2026 e afirma que ele comparecerá à oitiva e a eventuais outras para as quais for intimado. “Não há nos autos elemento concreto que indique risco de não comparecimento”, pontuam.
Em relação aos riscos de fuga e reiteração da prática de rime, os advogados afirmam que o parecer de Gonet retoma os elementos considerados quando foi decretada a prisão preventiva. “A defesa não pretende renovar nesta petição a discussão já apresentada no pedido de 20 de agosto. O que se requer é o exame da necessidade atual da prisão, depois de mais de quatro meses de sua decretação”.
A defesa pede que, se Fachin entender pela necessidade de manutenção de cautelas, substitua a prisão preventiva por medidas diversas, inclusive entrega do passaporte, proibição de ausentar-se do país, proibição de contato com os investigados que forem indicados e comparecimento periódico em juízo.
Acusações contra Rodrigo Campos
A decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão preventiva de Rodrigo Campos diz que ele teria desempenhado papel de colaborador técnico e logístico do núcleo Os Meninos, mediante:
- Integração formalmente identificada ao braço hacker da organização;
- Prestação de serviços em favor de David Henrique Alves;
- Execução de tarefas concretas, como pagamento de boletos e aquisição de domínios na internet;
- Atuação conjunta com Victor Lima no deslocamento até a residência de David, em contexto de desmobilização do imóvel após a deflagração da operação; e
- Inserção em cadeia hierárquica voltada ao monitoramento telemático ilegal e à proteção digital dos interesses do núcleo central.
Fachin ainda vai decidir sobre o pedido de revogação da preventiva.
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