Copom não crava ritmo dos próximos cortes da Selic
Copom cortou a Selic para 13,75% em decisão unânime, mas a ata mantém tom cauteloso diante da inflação ainda pressionada pela demanda interna
A ata divulgada nesta terça-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic para 13,75% ao ano na reunião, mostra que o Banco Central manteve tom cauteloso mesmo diante de sinais mais nítidos de desaceleração da economia.
O corte foi de 0,25 ponto percentual ante os 14% fixados em agosto. A decisão foi unânime entre os sete membros do colegiado.
O documento cita a leitura do PIB do segundo trimestre, que confirmou a moderação apontada por outros indicadores. Segundo o Comitê, o movimento foi mais intenso nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico, parte do processo de convergência da inflação à meta.
Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média dos núcleos desaceleraram e estão abaixo do teto do intervalo de tolerância, ainda acima da meta de 3%. Ao mesmo tempo, os preços ao produtor voltaram a acelerar, em bens intermediários e de consumo, sinal que pode pressionar os preços ao consumidor adiante.
As expectativas apuradas pelo último boletim Focus seguem acima da meta em todos os prazos, em 4,92% para 2026 e 4,3% para 2027. Já as projeções do próprio Copom, distintas da Focus, subiram de 5,1% para 5,2% em 2026 e de 3,8% para 3,9% em 2027 ante a ata anterior. Para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, a estimativa foi mantida em 3,2%.
O crédito com recursos livres também desacelera, com queda mais marcada nas modalidades de prazo mais longo, mais sensíveis à Selic. O crédito direcionado seguiu em expansão, com destaque para o financiamento imobiliário e para fundos garantidores.
No mercado de trabalho, o desemprego permanece em patamar historicamente baixo, ainda que a ocupação venha perdendo ritmo. Os rendimentos médios continuam subindo em termos reais acima da produtividade do trabalho.
O Copom voltou a defender coordenação entre política fiscal e monetária, alertando que um afrouxamento nas reformas estruturais pode elevar a taxa de juros neutra da economia. O colegiado não indicou o ritmo dos próximos cortes, dizendo que a magnitude do ciclo será calibrada conforme a evolução dos dados. Na véspera da divulgação, a Focus já projetava a Selic em 13,50% ao final do ano.
“Nosso cenário permanece compatível com novo corte de 25 pontos-base, condicionado aos dados. O sinal decisivo nas próximas divulgações será a combinação entre serviços, expectativas para prazos longos e evidência de desaceleração da demanda. Se petróleo, câmbio ou fiscal pressionarem as projeções, o Comitê preservou espaço para interromper a flexibilização“, diz Jason Vieira, economista-chefe da Lev Investimentos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)