Após mais de 1.600 anos de história os arqueólogos retiram blocos de 80 toneladas de uma das sete maravilhas do mundo antigo
O peso dos blocos mostra a escala impressionante alcançada pelos antigos construtores
Algumas das maiores peças do Farol de Alexandria voltaram à superfície depois de séculos sob o Mediterrâneo. Em uma campanha arqueológica realizada em 2025, a equipe do Projeto PHAROS içou 22 blocos monumentais, incluindo partes da entrada, que pesam entre 70 e 80 toneladas.
O que foi retirado do fundo do mar em Alexandria?
Os arqueólogos trouxeram à superfície elementos arquitetônicos ligados ao antigo farol e a outras estruturas monumentais do sítio submerso. Entre eles estão lintéis, montantes da porta, lajes, peças do embasamento e partes de um pílono de estilo egípcio construído com técnica grega.
O CNRS informa que os maiores blocos da porta monumental chegam a 70 ou 80 toneladas. A operação foi conduzida sob responsabilidade científica da arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy.

Por que levantar peças tão pesadas se o farol não será reconstruído?
O objetivo principal é documentar cada bloco com precisão e reconstruir o farol digitalmente. Depois do içamento, as peças passam por estudo, registro fotogramétrico e modelagem tridimensional.
O Centre d’Études Alexandrines explica que a campanha de 2025 levou à superfície algumas das maiores peças já registradas no sítio:
Como o Farol de Alexandria acabou debaixo d’água?
O Farol de Alexandria funcionou por quase 16 séculos, guiando embarcações que se aproximavam da cidade. O monumento sofreu danos repetidos por terremotos e deixou de funcionar depois do grande evento de 1303.
Com o abandono, partes da estrutura foram reaproveitadas e outras acabaram no mar. O sítio arqueológico submerso é estudado sistematicamente desde 1994.
- Século III a.C.: o farol foi erguido na ilha de Faros.
- 1303: terremoto e tsunami causaram danos decisivos.
- Depois do colapso: pedras foram reaproveitadas em construções próximas.
- 1994 em diante: o CEAlex passou a mapear as ruínas submersas.
O que o Projeto PHAROS pretende reconstruir?
O projeto busca chegar a um gêmeo digital cientificamente sustentado do farol. Para isso, arqueólogos, historiadores, arquitetos e engenheiros combinam os blocos digitalizados com textos antigos, moedas, imagens históricas e hipóteses estruturais.
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Por que esses blocos podem mudar o que se sabe sobre o farol?
As peças grandes preservam detalhes de geometria, encaixe, materiais e proporções que textos antigos não descrevem com precisão. Isso permite comparar hipóteses antigas com medidas reais.
O CEAlex já documentou milhares de fragmentos no sítio. O içamento acrescenta acesso direto a elementos que ajudam a reconstruir partes centrais da arquitetura do monumento.
Para uma construção desaparecida há séculos, cada bloco funciona como uma peça de um quebra-cabeça que agora pode ser testado digitalmente antes de qualquer conclusão sobre a forma final do farol.
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